ONG exercem pressão sobre UA para resolução de crise em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- As organizações humanitárias internacionais apelaram no fim-de-semana passado à Oitava Cimeira da União Africana (UA), a iniciar-se segunda-feira em Addis Abeba, para reflectir sobre o conflito em Darfur, advertindo que a situação está a piorar nesta província ocidental sudanesa, impedindo milhares de civis de ter acesso à ajuda necessária.
A Acção Contra a Fome, a CARE International, a Oxfam International, o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), a World Vision e a Save the Children anunciaram numa declaração conjunta que os trabalhadores humanitários estão confrontados com uma violência que atingiu um "nível sem precedentes em Darfur".
Sublinharam que o acesso às pessoas pobres na zona sul do conflito constitui uma questão delicada numa altura em que a ajuda humanitária é mais importante do que nunca.
O conselheiro político da Oxfam para África, Houghton Irungu, exortou a UA a apelar para uma cessação imediata do conflito em Darfur, deplorando a morte de centenas de pessoas nesta província desde Janeiro.
"Este conflito arrastou-se durante muito tempo e agora está pior do que nunca.
O facto de esperar mais tempo colocará centenas de milhares de vida em perigo e poderá provocar uma ruptura de toda a ajuda humanitária" sublinhou o responsável da Oxfam numa declaração feita sábado em Addis Abeba.
"Actualmente a União Africana, as Nações Unidas e a comunidade internacional devem dizer basta", defendeu.
Os organismos humanitários anunciaram que os atentados perpetrados contra os civis aumentam cada vez mais, obrigando as pessoas a fugir das suas casas.
Precisaram igualmente que uma ruptura da ajuda humanitária colocará milhões de indivíduos em grande perigo.
"Não se deve permitir a esta crise que se agrava há quatro anos degenerar", defenderam os organismos humanitários na declaração conjunta.
O director nacional da Save the Childeren no Sudão, Hussein Halane, disse que os esforços para restaurar a paz em Darfur poderão ser frutuosos se as "patrulhas das florestas" regulares forem retomadas para proteger as mulheres que deixam os campos em busca de lenha.
"A comunidade internacional faltou aos seus compromissos para com o povo de Darfur ao não dar à Força da União Africana os fundos, os equipamentos e o apoio necessários.
Mas a UA pode - e deve - fazer mais com os recursos que já estão à sua disposição.
Não há razão para que as patrulhas não retomem imediatamente", disse Halane.
Os organismos advertiram que a "importante ajuda humanitária" em Darfur será brevemente paralisada se os líderes africanos que participam na Oitava Cimeira da UA não tomarem medidas de emergência para pôr termo à violência crescente contra os civis e os trabalhadores humanitários.
Precisaram que os chefes de Estado africanos e o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, faltarão aos seus compromissos para com o povo de Darfur se não tomarem medidas concretas para anunciar a abertura dum novo capítulo na região e garantir um cessar-fogo imediato com o acordo e com a adesão das partes abrangidas.
Os confrontos de Janeiro provocaram a morte de mais de 350 pessoas e forçaram dezenas de milhares de pessoas a fugir das suas casas.
"A cissão dos movimentos rebeldes e a falta generalizada de responsabilidade colocaram Darfur numa situação de anarquia crescente, provocando ataques directos contra trabalhadores humanitários.
A violência alargou-se a toda a região além da fronteira tchadiana", sublinharam os organismos humanitários.

29 Janeiro 2007 11:59:00




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