O MPCI advoga uma " nova ordem política" na Côte d'ivoire

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O Movimento patriótico da Côte d'ivoire (MPCI), que combate o poder ivoirense desde 19 de Setembro último, pediu terça-feira em Lomé, Togo, a instauração de "uma nova ordem política" na Côte d'ivoire, segundo um documento do Movimento a que a PANA teve acesso.
Segundo o documento, que analisa o conjunto das contra- propostas enviadas terça-feira pelo movimento rebelde ao medianeiro togolês, o presidente Gnassingbé Eyadema, a criação de um tal quadro justifica-se pela própria existência da "crise ivoirense que tem uma dimensão política inconstestável, e carece portanto de soluções políticas profundas para permitir um retorno a uma vida normal" na Côte d'ivoire.
O texto, que é evasivo quanto ao próprio quadro desta "nova ordem política", é todavia um pressuposto de um eventual desarmamento do MPCI que deveria acontecer sómente "no fim da resolução global e definitiva da crise".
O documento do movimento político-militar ivoirense, que não trás algo novo, fala da destituição do chefe de Estado ivoirense, Laurent-Gbagbo, e das eleições anticipadas,um pressuposto, nem sequer uma reivindicação, formula várias exigências de carácter político,nomeadamente a revisão da lei sobre a nacionalidade, o voto das novas leis sobre a identificação das pessoas e a liberalização dos media e a despenalização dos delitos de imprensa.
Entre as propostas formuladas pelo MPCI destacam-se igualmente "o compromisso da nova ordem política em resolver definitivamente o problema fundamental tendo em conta os direitos de us e de outros", e a organização de uma nova consulta geral, do género do Dorum da reconcliação nacional que o documento considera como "um fracasso".
O MPCI ,que reafirma por outro lado, o seu "respeito pela Integridade da Côte d'Ivoire e das instituições», retomou, no seu documento a quase totalidade das suas reivindicações de carácter corporativista que culminaram com um acordo com a delegação governamental, a 31 de Outubro último, na capital togolesa.
Trata-se nomeadamente da amnistia e reintegração das forças do MPCI, revalorização da função militar, renúncia ao recrutamento, uso, financiamento e formação de mercenários, evacuação das cidades ocupadas pelas forças do Movimento patriótico da Côte d'ivoire e forças governamentais.
O Movimento político-militar rebelde ivoirense retoma igualmente como válidos todos outros pontos que dizem respeito nomeadamente as questões de ordem humanitária, e os relativos ao respeito pelos direitos humanos.
Lá se encontram os que se relacionam com a libertação dos presos civis e militares de guerra, a ajuda humanitária e crianças soldados.
Neste último ponto, o MPCI pede que a "nova ordem política" preste uma atenção particular a estas crianças recrutadas aquando das hostilidades que se iniciaram a 19 de Setembro último.
Finalmente, o Movimento político-militar rebelde frisa que "a nova ordem política" sera criada pelo Movimento patriótico da Côte d'Ivoire, sob a égide da Comunidade dos Estados da África ocidental (CEDEAO) e da comunidade internacional.
As contra-propostas do MPCI intervireram mais de duas semanas depois do anrranque das negociações inter- ivoirenses de Lomé, a 30 de Outubro último.
Surgiram na sequência da apresentação, na última semana, pelos Medianeiros togolês e os da CEDEAO, de um documento em 24 pontos contendo propostas para ambas partes com vista a sinatura de um acordo global.
O Movimento político-militar rebelde ivoirense, tendo achado que as suas reivindicações de carácter político não tinham sido tidas em conta nas propostas da organização oeste-africana, rejeitou o documento para elaborar contra-propostas que, desde terça-feira, são motivo de um exame aprofundado pela delegação governamental ivoirense.
Recorde-se que a crise que abala a Côte d'ivoire há dois meses provocou de facto a divisão do país em duas partes, a partir da cidade de Bouaké (cenro) até as fronteiras norte da Côte d'ivoire, ou seja cerca de 40 por cento da superfície sob controlo dos rebeldes.
Desencadeada na noite de 18 a 19 de Setembro último, por cerca de 750 miltares em vias de desmobilização do exército, a rebelião, transformada rapidamente em tentativa de golpe de Estado, terá feito mais de 500 mortos e várias centenas de feridos e provocado a deslocação de mais de 200.
000 pessoas.
Entre os mortos destacam-se o ex-chefe da junta militar destituída, o general Guei Robert, e o ministro de Estado encarregue do Interior e Descentralização, Emile Boga Doudou.

02 Dezembro 2002 18:34:00


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