Nigéria critica 'chantagem' sobre asilo de Charles Taylor

Sirtes- Líbia (PANA) -- O Presidente da União Africana (UA) e da Nigéria, Olusegun Obasanjo, queixou-se segunda-feira diante dos seus homólogos africanos reunidos na quinta cimeira ordinária da organização continental de uma alegada "perseguição e chantagem" de alguns membros da comunidade internacional sobre o asilo concedido pelo seu país ao ex-chefe de Estado liberiano Charles Taylor.
"Estamos a ser pressionados, perseguidos, chantageados e mesmo intimidados e ameaçados para entregar Taylor, contrariamente aos termos da sua partida voluntária do país", disse Obasanjo durante a sessão da abertura da cimeira dos chefes de Estado da UA no Centro de Conferências Ougadougou em Sirtes, na Líbia.
Explicou que a Nigéria aceitou conceder o asilo a Taylor com a aprovação do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, dos membros permanentes do Conselho de Segurança, da União Africana, da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e das outras nações para prevenir um potencial banho de sangue na Libéria "porque os rebeldes tinham cercado a capital, Monróvia".
"Fomos louvados quando trouxemos Taylor à Nigéria".
Mas, actualmente, a questão tornou-se num motivo de perseguições de certos grupos, embora as acusações contra Taylor sejam as mesmas de sempre e nenhuma nova tenha sido formulada", desabafou Obasanjo.
Taylor foi indiciado pelo Tribunal dos Crimes de Guerra para a Serra Leoa pelo seu papel durante a guerra civil que durou quase uma década e em que milhares de pessoas morreram e centenas de outras, incluindo crianças, foram mutiladas, violadas e drogadas, alegações entretanto negadas pelo acusado.
Em Agosto de 2003, enquanto os grupos rebeldes sitiavam a capital liberiana, os Presidentes Thabo Mbeki da África do Sul, John Kufuor do Gana e o então homólogo seu da UA e de Moçambique Joaquim Chissano deslocaram-se a Monróvia para testemunhar a entrega do poder por Taylor ao seu vice-Presidente antes da sua partida para Calabar, na Nigéria, onde vive actualmente no exílio.
Porém, Obasanjo disse que preferiu trazer a questão à atenção dos seus colegas e que "se necessário" voltaria à UA para alguns conselhos e uma decisão sobre o assunto.
O actual presidente da UA alertou os líderes africanos contra as decisões que podem ameaçar o processo de paz na Liéria, onde as eleições estão previstas para Outubro.
Tais decisões podem também arruinar a credibilidade dos líderes africanos de negociar acordos como aquele que colocou a Libéria no caminho da paz, disse Obasanjo na cimeira da UA.

04 Julho 2005 22:07:00




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