Mulheres africanas pedem melhoria de condições de vida

Charm el Cheikh- Egipto (PANA) -- Os militantes africanos da causa dos direitos das mulheres apelaram terça-feira aos dirigentes do continente a demonstrar o seu engajamento político na aplicação dos objectivos definidos pela União Africana (UA) em matéria de género.
Num encontro organizado na cidade balnear egípcia de Charm el Cheikh, por iniciativa da organização Mulheres Africa Solidariedade (FAS), pioneira das questões de género no continente africano, os militantes da causa do género provenientes de todos os países de África procederam a um balanço da aplicação os objectivos da agenda do género.
Falando na abertura do encontro, Bineta Diop, directora executiva da FAS, afirmou que as mulheres líderes esperam que os dirigentes africanos prestem uma melhor atenção aos seus esforços visando melhorar o bem-estar das mulheres.
A reunião tem por objectivo principal analisar os esforços consentidos até agora para aplicar o acordo histórico concluído com vista a melhorar a vida das mulheres, a Declaração Solene sobre o Género e Igualdade em África, que defende a não violência contra com as mulheres.
Os seus principais objectivos abrangem questões como a igualdade entre os géneros relativa à distribuição de emprego, a melhoria do bem-estar das mulheres nos locais de trabalho, o acesso equitativo aos recursos, aos cuidados de saúde, a protecção das mulheres em situação de conflito e a sua responsabilização económica, que estão no centro das discussões do encontro de Charm el Cheikh.
A reunião de três dias, que decorre em prelúdio à XI sessão ordinária da Conferência dos Chefes de Estados e de Governo da União Africana, abordou igualmente algumas medidas tomadas com vista a melhorar a vida das mulheres em África, para reduzir a pobreza.
A ONG FAS patrocina este ano uma iniciativa lançada para aprofundar o debate sobre as questões de género exortando os dirigentes africanos a lançar uma nova iniciativa susceptível de permitir as mulheres que gerem pequenas indústrias transformar os seus negócios para fazer grandes indústrias.
A esse respeito, Rosalie Lo, encarregada regional de programas da FAS, explicou que os delegados vão tentar ajudar as mulheres a realizar a transição de pequenas para grandes empresas, explicando que tentavam igualmente integrar as mulheres nas indústrias ao mais alto nível.
A conferência da FAS beneficiou igualmente do apoio da Primeira Dama do Egipto, Suzanne Moubarak, através do seu Movimento Internacional das Mulheres para a Paz, que trabalha para a instauração duma sociedade pacífica e equitativa.
As mulheres líderes presentes no encontro notaram que embora estejam a ser consentidos esforços para aplicar o acordo histórico sobre a responsabilização das mulheres, vários países ainda não monstraram uma verdadeira vontade política de aplicar a declaração sobre o género.
A FAS desempenhou o papel de ponta de lança das campanhas aplicadas desde o mês de Julho 2004, data da adopção da agenda pelos dirigentes africanos, com vista a assegurar às mulheres cuidados de saúde de melhor qualidade, apelando para uma legislação mais eficaz para melhorar a vida das mulheres.
Os analistas presentes nas negociações de Charm el-Cheikh revelaram que o continente deveria examinar atentamente a agenda sobre o género, em particular sobre os aspectos relativos aos direitos das mulheres em situação de conflito.
Indicaram que a referida agenda deverá ser alinhada com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o desdobramento das tropas de manutenção da paz e as políticas do Conselho de Paz e Segurança da UA.
Lo estimou igualmente que o problema maior com qual os países africanos estão confrontados relativamente à realização dos objectivos da Declaração Solene reside no facto de que a maior parte dos indivíduos ignoram a existência deste género de política.

24 Junho 2008 16:00:00




xhtml CSS