Mugabe optimista quanto à solução africana para crise zimbabweana

Charm El-Cheikh- Egipto (PANA) -- O Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, declarou terça-feira gozar ainda do apoio dos líderes africanos para resolver a crise no país e rejeitou os apelos para a designação de novos medianeiros nas suas negociações com a oposição.
Segundo o assessor de Imprensa do Presidente Mugabe, George Charamba, a crise no Zimbabwe é duma amplitude diferente da crise pós-eleitoral que abalou o Quénia, pelo que necessita duma "solução diferente".
"Os líderes africanos congratularam-se com o que se está a passar no nosso país.
Nós recebemos o apoio do Gabão e da Eritreia", declarou Charamba quando os chefes de Estado e de Governo africanos se preparavam para discutir sobre a crise política no Zimbabwe no quadro da 11ª sessão ordinária da UA iniciada segunda-feira na cidade turística egípcia de Charm el-Cheikh.
O Presidente Mugabe gaba-se dum apoio "infalível" dos seus homólogos africanos, após o que foi qualificado como "paródia eleitoral" no seu país e rejeitou a condenação da sua reeleição pelo primeiro-ministro queniano, Raila Odinga.
Alguns líderes africanos criticaram as autoridades zimbabweanas pela organização da segunda volta das eleições presidenciais, no termo das quais Mugabe foi declarado vencedor.
Mas os Presidentes Omar Bongo do Gabão e Isaías Afewerki da Eritreia declararam o seu reconhecimento da reeleição do Presidente Mugabe e o seu apoio à participação deste na Cimeira da União Africana.
O porta-voz do Presidente Mugabe explicou que os apelos para a formação duma equipa de mediação da UA para supervisionar a busca duma solução política para o processo democrático em crise no Zimbabwe não eram necessários.
Ele rejeitou igualmente a proposta de substituição do Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, como medianeiro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), declarando que uma tal medida equivaleria a "tentar dividir mais ainda África".
"Eu penso que Mbeki trabalha para uma organização regional que faz parte da União Africana.
Porquê fazer estas diferenças, porquê tentar dividir mais ainda África", declarou Charamba à imprensa.
A crise política no Zimbabwe dominou os debates sobre o desenvolvimento económico e social de África durante a Cimeira.
Por outro lado, o porta-voz presidencial rejeitou as críticas de Odinga sobre a reeleição do Presidente Mugabe, sublinhando que a situação no Quénia "é pior" que a crise no Zimbabwe e que os dois Estados "têm uma história diferente".
"Eu suponho que vocês viram o sangue derramado durante as eleições quenianas, o verdadeiro sangue africano, que não pode ser lavado pela condenação das eleições zimbabweanas", declarou Charamba à imprensa reagindo aos ataques do primeiro-ministro queniano.
Ele acrescentou que Odinga tinha "muito sangue africano nas mãos por lavar" antes de condenar o escrutínio no Zimbabwe.

01 Julho 2008 16:16:00




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