Moçambique novamente em guerra contra pobreza

Londres- Reino Unido (PANA) -- A primeira-ministra moçambicana Luisa Diogo declarou sábado em Londres que o seu país está novamente em guerra contra a pobreza.
o chefe do governo moçambicano fez estes pronunciamentos quando intervinha durante um seminário organizado pelo Comité Moçambique/Angola em alusão à comemoração dos seus 30 anos de independência.
Este comité foi criado para substituir os grupos de solidariedade britânicos que mobilizaram apoio aos movimentos de libertação destes países durante as lutas contra o regime colonial (Portugal).
"Este encontro tem um carácter significativo na medida em que reúne em Londres eminentes personalidades e militantes resolutos e dedicados à causa da emancipação política que pode contribuir muito para o desenvolvimento em Moçambique", sublinhou Diogo.
A primeira-ministra moçambicana disse que "levamos a cabo vários combates, nomeadamente a erradicação da pobreza, para melhorarmos o bem-estar das nossas populações e consolidarmos a paz, a estabilidade política e a democracia".
Referiu-se aos recentes desenvolvimentos positivos notados em Moçambique, nomeadamente as eleições multipartidárias de Dezembro passado, a sucessão do Presidente Armando Guebuza ao Presidente Joaquim Chissano em Fevereiro último, e a taxa de crescimento económico que varia entre 7 e 8 por cento anualmente.
Diego agradeceu ao governo britânico o seu apoio a Moçambique, designadamente o papel do seu homólogo Tony Blair e do ministro das Finanças Gordon Brown na cimeira do G-8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) em Escócia em Julho último, quando estes países mais industrializados do mundo decidiram duplicar a ajuda e perdoar a dívida externa dos países africanos.
Entre outras questões discutidas pelo G-8, o chefe do governo moçambicano ressaltou a luta por um sistema de comércio internacional justo e equitativo que "apoiará as nossas estratégias de desenvolvimento".
A primeira-ministra moçambicana, para quem esta questão continua longe de ser bem explorada, acrescentou que "podemos ir muito longe na luta contra a pobreza se trabalharmos em parceria para persuadirmos os países desenvolvidos de aumentar a sua ajuda e fazer do acesso dos nossos produtos e nossos serviços aos seus mercados uma realidade".
Quanto a Angola, Margaret Anstee, ex-representante da ONU neste país durante as primeiras eleições multipartidárias de 1992, destacou as dificuldades com que está confrontado este país a despeito da cessação da guerra em 2002 após a morte no combate de Jonas Savimbi, líder da União Nacional da Independência Total de Angola (UNITA).
Institiu particularmente na necessidade de atacar a raíz do conflito, a pobreza, a marginalização e as exclusões, não obstante a estabilidade registada nestes últimos tempos neste país.
Evocando a sua visita a Angola no ano transacto onde constatou "danos causados pelos 30 anos de guerra", um deputado sindicalista, Jeremy Corbyn, sublinhou a "necessidade" de se aumentar consideravelmente a ajuda a este país, nomeadamente em matéria de educação.

25 Setembro 2005 21:09:00


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