Mobilização em Cabo Verde contra o flagelo do HIV/SIDA

Praia- Cabo Verde (PANA) -- Os Caboverdianos mobilizaram-se em força por ocasião do dia mundial de luta contra a sida comemorado domingo, para fazer face a este flagelo que afecta já um número significativo de famílias em Cabo verde.
O governo, as organizações não governamentais (ONG) e os representantes do sistema das Nações Unidas no arquipélago lançaram um vasto programa de sensibilização das populações locais.
Segundo observadores em Praia, Cabo-Verde regista este ano a mais forte mobilização para dizer "não a pandemia", desde o registo, em 1986, do premeiro caso de SIDA no país.
Segundo dados mais recentes publicados pelo Comité de luta contra sida (CCCS) no arquipélago, 139 novos casos de seroposivitivos, dos quais 61 mulheres, foram registados em 2001.
Este número é muito preocupante para uma população de pouco mais de 430 mil habitantes.
Trata-se também de um aumento significativo comparativamente ao ano 2000, durnate o qual, as autoridades sanitárias registaram 121 novos casos, soube-se.
O número total de casos de seropositividade registado em Cabo Verde desde 1986 até finais de 2001, estima-se em 814, dos quais 406 desenvolveram a doença (ou seja 52,4 por cento).
Entre eles 205 faleceram.
A SIDA no arquipélago passou de 1,72/10.
000 em 1997 a 2,86/10.
000 em 2000, o rácio de prevalência homem/mulher na faixa etária de 0-29 anos é de 0.
7 e, para o conjunto de todas faixas etárias, é de 1.
13.
Quanto à infecção HIV, indica que a epidemia tende a afectar os jovens, visto que a maioria dos doentes passou da faixa etária de 45-49 anos em 1988 para 35-39 anos em 1998, e os doentes de 25-29 anos representavam 17, 5 por cento em 2000.
As autoridades sanitárias caboverdianas estão seriamente preocupadas com o aumento da frequência da SIDA nas mulheres, atendendo a papel delas na família caboverdeana.
O país registou também um recrudescimento dos casos de infecção no mundo rural e um aumento dos casos de infecção pelo HIV 1, o vírus o mais perigoso da SIDA.
As projecções realizadas pelas autoridades sanitárias caboverdianas estimam uma tendência ao crescimento da prevalência, ao passo que os meiso de despistagem e de tratamento são praticamente inexistentes.
Esta situação inspira bastantes cuidados quanto a disseminação incontrolável do vírus com impactos nos índices do desenvolvimento humano e da economia.
Na perspectiva de uma melhor coordenação e eficácia no combate ao flagelo, o governo caboverdiano criou em Fevereiro de 2002 um Plano estratégico nacional de luta contra a sida (PELS) para o período 2002-2006.
Com a adopção deste novo instrumento, esta luta, baseada até agora essencialmente na responsabilidade do governo, através do Programa nacional de luta contra a sida (PNLS), mudou.
A nova estratégia, que se quer mais "ampla, mobilizadora e multi- sectorial", tem em conta os factores socio-económicos, a vulnerabilidade e a problemática do género, tanto na propagação como na luta contra a epidemia, soube-se.

02 Dezembro 2002 12:17:00


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