Ministros africanos abordam desenvolvimento dos Grandes Lagos

Banjul- Gâmbia (PANA) -- Os ministros africanos dos Negócios Estrangeiros e Cooperação reunidos em conferência sobre os Grandes Lagos terça-feira em Banjul optaram por uma convergência de energias com vista ao desenvolvimento desta parte do continente assolada por crises recorrentes.
Em entrevista à PANA no termo da conferência ministerial sobre os Grandes Lagos, o ministro da Cooperação Regional da República Democrática do Congo (RDC), Mbusa Nyamwisi, declarou que todos os países representados no encontro optaram por uma convergência de energias para relançar o desenvolvimento desta região atormentada por vários anos de guerra e conflitos.
"A questão dos Grandes Lagos não é tão sombria como há alguns anos.
Hoje tudo se faz para que haja segurança e os representantes nesta conferência provaram-no pelo seu engajamento", garantiu Nyamwisi.
O governante congolês disse que as guerras e os genocídios fazem parte do passado, acrescentando que o encontro permitiu avaliar as estratégias em vigor e perspectivar as vias susceptíveis de ajudar na estabilização da região.
"A RDC pagou um pesado tributo nesta crise visto que ela estava no centro duma guerra que envolveu oito nações diferentes (Tchad, Angola, Burundi, Uganda, Ruanda, Zimbabwe, África do Sul e Namíbia), afirmou Nyamwisi.
Adiantou que a conferência ministerial que reuniu representantes da RD Congo, dos seus nove vizinhos e do Quénia para falar de paz, de segurança, democracia e desenvolvimento "é um acelerador para o desenvolvimento da região".
Após a avaliação interna muito encorajante do Burundi, eleições presidenciais em breve na RD Congo, não há mais razão de não se regozijar pela situação na região dos Grandes Lagos, que avança resolutamente para o desenvolvimento, acrescentou, explicando que a miséria constitui terreno fértil para estes crises.
A esse respeito, sublinhou que os países participantes na conferência acordaram engajar-se no desenvolvimento de projectos comuns integradores.
Relativamante, às violências sexuais denunciadas por ONGs, Nyamwissi indicou que estas práticas são obra de grupos descontrolados, defendendo a necessidade se relativizar os factos.
"As forças regulares já não podem, na etapa actual, levar a cabo tais práticas sem serem julgadas diante do tribunal militar como foi o caso há algumas semanas em Mbandaka onde quatro militares foram julgados por violação e outros recentemente em Ituri (leste).
Não é justo fazer crer que nada foi feito para reprimir os abusos", insurgiu-se Nyamwisi.
"Vimos de longe, mas disposições são tomadas diariamente para pôr fim aos abusos sob quaisquer formas e reprimir os autores", indicou.
Com as próximas eleições na RD Congo de 30 de Julho que agruparão mais de nove mil candidatos para 500 deputados e 33 candidatos para a pasta presidencial o desenvolvimento está em curso.
Para este país, que possui cerca de 220 partidos e 10 coligações, não é ainda a perfeição, reconheceu Nyamwisi, precisando que as eleições permitirão clarificar a paisagem política, visto que todo o mundo não poderá ter representantes na Assembleia.
"As presidenciais congolesas são muito importante para a reformação na RD Congo.
O povo está fortemente engajado e o governo faz tudo para o seu sucesso", sublinhou.
"Não temos outra escolha que a democracia na região dos Grandes Lagos.
Todas as disposições foram tomadas e as partes não têm outra escolha que o desenvolvimento que não se pode fazer sem um mínimo de convergência nos interesses comuns", revelou.
As eleições congolesas abrem perspectiva de desenvolvimento dos Grandes Lagos visto que vão exercer influência em toda a África Central e uma parte da África Oriental com mais de 60 milhões de habitantes, concluiu.
Há décadas, a paz e a estabilidade desertaram a RD Congo, país rico em recursos naturais situado no centro de África.
As guerras sucessivas, cujo balanço numa década se estima em quase quatro milhões de vítimas, puseram em causa a estabilidade de toda a região dos Grandes Lagos.
O processo de preparação das eleições começou a 20 de Junho de 2005 com a identificação e inscrição dos eleitores, antes da organização, de 18 e 19 de Dezembro de 2005, do referendo constitucional.
Estes preparativos têm por objectivo terminar, através de eleições gerais, o período de transição previsto pelo acordo global e inclusivo assinado em Dezembro de 2002 em Pretória, na África do Sul.

28 Junho 2006 11:33:00




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