Ministros adiam eleição de presidente da Comissão da UA

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O Conselho Executivo da União Africana (UA) não procedeu finalmente, terça-feira em Addis Abeba, à eleição do presidente da Comissão da UA e dos comissários, pois os ministros africanos dos Negócios Estrangeiros decidiram submeter este dossier à Conferência dos chefes de Estado e de Governo a iniciar-se quinta-feira na capital etíope.
Justificando esta decisão, eles consideraram que não foi possível eleger os comissários sem o presidente e o vice-presidente da Comissão.
Os debates que decorreram até muito tarde na noite de terça-feira não dissiparam as divergências entre os Estados sobre esta questão.
Segundo confidências de ministros que participaram nesta reunião do Conselho Executivo, alguns querem o adiamento das eleições, ao passo que outros desejam pelo menos a eleição do presidente e do vice-presidente e o adiamento do escrutínio dos comissários para Julho próximo.
Entre as duas posições, existe a adoptada por alguns ministros que consideram que é preciso respeitar a legalidade procedendo à eleição de todos os comissários e modificar depois os conteúdos das pastas.
Estes últimos contestam sobretudo o desejo manifestado por alguns deles de adiar as eleições para reabrir as candidaturas.
"É uma agenda escondida para Estados que querem aproveitar a auditoria para resolver outras questões", estimou um ministro da África Oriental, que defende que "se as eleições forem adiadas, será preciso interrogar-se sobre a utilidade da União Africana".
Para o posto de presidente da Comissão, restam apenas três candidaturas, depois de o Burundi retirar a da sua ministra das Relações Exteriores a favor da do seu homólogo gabonês Jean Ping.
Este último vai opor-se a Abdulai Osman Conteh, juiz presidente do Tribunal de Belize, na América Latina, e antigo vice-presidente da Serra Leoa, bem como a Inonge Mbikusita Lewanika, embaixadora da Zâmbia nos Estados Unidos.
Jean Ping parece estar em melhor posição, pois, além da África Central e Ocidental, acaba de obter o apoio dos países da África Oriental que o escolheram após uma intensa discussão terça-feira.
Igualemente, os países da África do Norte, que pareciam hesitar, apoiam agora a candidatura do ministro gabonês dos Negócios Estrangeiros.
De fonte próxima duma delegação magrebina, soube-se que mesmo a Líbia que pretendeu a candidatura do seu diplomata Ali Triki, excluído, escolheu finalmente a candidatura gabonesa.
Mas o obstáculo maior para a eleição de Jean Ping reside no facto de que se os chefes de Estado decidirem finalmente proceder à votação, ele deverá obter dois terços dos votos dos Estados membros elegíveis, para ser eleito presidente da Comissão da UA.
Cálculos efectuados por responsáveis da UA indicam que, excluindo os oito Estados membros actualmente sem direito a voto porque sob sanção, o ministro gabonês dos Negócios Estrangeiros deverá obter pelo menos 30 votos para vencer o escrutínio.

30 Janeiro 2008 19:57:00




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