Milhares de pessoas marcham contra agressão de jornalistas no Senegal

Dakar- Senegal (PANA) -- Milhares de sindicalistas, jornalistas, personalidades da sociedade civil e políticos marcharam sábado em Dakar para protestar contra as violências policiais, das quais dois jornalistas senegaleses foram vítimas na semana passada.
Os manifestantes exibiam cartazes e panfletos com as inscrições: "Não às Agressões Policiais", "Polícias = Torcionários", "Baste de Agressão".
Eles passaram pelas principais artérias de Dakar durante quase duas horas, antes de entregar um memorando ao ministro da Informação e porta-voz do Governo, Aziz Sow.
Alguns manifestantes estavam vestidos de camisolas com as efígies dos jornalistas Boubacar Kambel Dieng, da Radio Futurs Medias (RFM) propriedade do músico Youssou Ndour, e Karamoko Thioune da West Africa Democracy Radio (WADR) da ONG Open Society, ambos agredidos no Estádio Leopold Sedar Senghor por polícias a 21 de Junho por ocasião do jogo entre o Senegal e a Libéria pontuável para as eliminatórias combinadas do CAN/Mundial de 2010.
De acordo com o director do jornal privado "Le Populaire" e presidente do Comité de Defesa e Protecção dos Jornalistas, Yakham Mbaye, se trata duma marcha para a liberdade de expressão contra as violências policiais, contra a impunidade e para a justiça.
Numa declaração lida no termo da marcha, Mbaye disse que "ninguém está ao abrigo das intimidações ou actos premeditados das forças da ordem", acrescentando que "os (forças da ordem) que acusam os jornalistas de querer estar acima da lei são os que hoje violam as leis efectuando actos similares à tortura".
Por seu turno, a secretária-geral do Sindicato dos Profissionais da Informação e Comunicação do Senegal (SYNPICS), Diatou Cissé Badiane, afirmou que a "mensagem clara que os jornalistas e todos os que se juntaram à marcha queriam fazer passar foi ouvida".
"Queremos trabalhar com segurança, porque a liberdade da imprensa e de expressão, bem como o direito do público à informação são princípios consagrados pela Constituição", acrescentou, convidando os seus colegas a "manterem a mobilização para fazer respeitar os princípios elementares da democracia".
"Não é ao se inscrever numa lógica de diabolização dos actores do sector da imprensa que conseguirão impor o seu modo de domesticação da informação e de uniformização do pensamento", advertiu a secretária-geral do Sindicato dos Profissionais da Informação e Comunicação do Senegal (SYNPICS).
As violências policiais contra dois jornalistas senegaleses na origem da marcha suscitaram vivas reacções por parte das organizações de defesa dos direitos humanos e dos sindicatos dos jornalistas.
Num editorial publicado por quase todos os cerca de 10 jornais privados diários de sábado, o Comité para a Defesa e Protecção dos Jornalistas denunciou estas violências.

29 Junho 2008 12:20:00




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