Agência Panafricana de Notícias

Meio milhão de refugiados angolanos repatriados voluntariamente

Genebra, Suíça (PANA) - Pelo menos 523 mil e 318 cidadãos angolanos regressaram voluntariamente ao país, nos últimos anos, no quadro do processo de repatriamento de nacionais ínstaldos nos países vizinhos, revelou segunda-feira, em Genebra, o ministro angolano da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua.

O ministro, que intervinha na 66ª sessão do Comité Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), disse tratar-se do balanço do período entre julho de 2003 e setembro de 2015, sendo que 58 porcento vieram da RD Congo, 37 porcento da Zâmbia, quatro porcento da Namíbia e o remanescente de outros países.

Do total de Angolanos repatriados, sublinhou, 54 porcento são crianças dos zero aos 17 anos, 41 porcento dos 18 aos 59 anos e cinco porcento com mais de 60 anos.

Acrescentou que o número de crianças e jovens repatriados representa uma fatia muito elevada, o que levou o Governo a reforçar as medidas de assistência.

Segundo o ministro, no âmbito da integração local, cerca de 40 mil Angolanos optaram por permanecer nos países de asilo, sobretudo na Zâmbia e na RD Congo. “Neste contexto, o Governo de Angola mantém o seu compromisso de atribuir documentos de identificação pessoal, que regularizem a sua situação", indicou.

Todavia, prosseguiu, alguns constrangimentos decorrentes da complexidade deste processo não devem ser interpretados como a criação de obstáculos por parte de Angola.

“Reiteramos o nosso profundo agradecimento aos países que durante décadas acolheram e protegeram os Angolanos, não obstante as suas próprias dificuldades internas”, disse, destacando o grande investimento do Governo de Angola em recursos humanos, financeiros e materiais para a operacionalização do processo de repatriamento.

Por outro lado, aproveitou a ocasião para manifestar a solidariedade de Angola para com aqueles que se encontram na condição de refugiados, pois que, disse, no passado recente, o conflito armado que assolou o país, provocou igualmente a deslocação forçada de cerca de cinco milhões de Angolanos, entre deslocados internos e exilados.

Afirmou que Angola está a testemunhar a maior emergência humanitária desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e que o fenómerno da intolerância religiosa e cultural, bem como as situações de conflito armado ou de carcáter político e económico assolam o mundo de forma desvastadora e colocam em risco a paz e a estabilidade mundiais.

O ministro agradeceu ainda o empenho do ACNUR e seus representantes, referindo que “hoje, somos, em termos de capital humano, um país rico e consciente dos problemas que afetam os refugiados no mundo com o aprendizado de que o diálogo, o respeito pela dignidade humana e a convergência de esforços são os instrumentos mais eficazes no combate a este flagelo".

A 66ª sessão do ACNUR, que termina sexta-feira, tem como principais pontos da agenda a atual crise migratória mundial, o programa de orçamento para 2016-2017, e análises das operações do ACNUR em África, Ásia e Pacífico, incluindo novos desenvolvimentos.

-0- PANA ANGOP/IZ 06out2015