Medidas austeras do Presidente malawiano dominam atualidade imprensa nacional

Blantyre, Malawi (PANA) – Os debates sobre a sessão orçamental em curso no Parlamento e as medidas de austeridade económicas do Presidente malawíano, Bingu wa Mutharika, dominaram a imprensa esta semana no Malawi.

«O Governo proíbe as viagens para o estrangeiro », intitula o Daily Times (diário)  que apresenta de forma pormenorizada como o Governo malawiano pretende reduzir as despesas ao controlar as viagens para fora do país.

« Dissaram-nos que, contrariamente ao passado, em que um secretário principal ou um ministro podia simplesmente aprovar as viagens para o estrangeiro, doravante a aprovação provirá sem exceção do mais alto nível », escreve o jornal que cita uma fonte altamente posicionada.

As medidas austeras do Governo foram tomadas na sequência da degradação das relações com a comunidade de doadores de fundos sobre questões de governação.

A maioria dos doadores de fundos, como a Grã-Bretanha, cujo embaixador no Malawi, Fegus Cochrana-Dyet, foi expulso por ter descrito Mutharika como alguém que « se torna cada vez mais autocrático e intolerante face às críticas » suspenderam ou reduziram a sua ajuda por certas razões, tais como ameaças à liberdade da imprensa e violações dos direitos humanos.

Vários comentadores, como responsáveis da sociedade civil e dignitários religiosos, condenaram, uns depois de outros, a administração de Mutharika convidando-o fazer a paz com os doadores de fundo.

No entanto, numa alocução especial à nação, o Presidente exortou os Malawianos a terem confiança nele, dizendo que o seu Governo  está a trabalhar para atenuar a crise das reservas cambiais e de combustíveis.

Segundo muitos jornais, os Malawíanos não deram ouvido ao discurso presidencial.

«Organizações Não Governamentais /ONG) criticam o discurso de Bingu », intitula o The Nation,  que cita vários líderes da sociedade que julgar “oco” o discurso deste último.


"Ele fracassou. Nem sequer conseguiu pedir desculpas », escreve o diário citando o secretário-geral da União dos Sindicatos do Malawi (MCTU), Robert Mkwezalamba.

«Tê-lo-íamos considerado se, após tudo que ele disse, tivesse a coragem de dizer: « Caros Malawianos, lamento as dificuldades com que vocês estão confrontados », acrescentou.

Como para reconhecer que o Malawi atravessa uma séria crise financeira, Mutharika,  conhecido pelo seu gosto para viagens, anulou a sua participação na cimeira da União Africana (UA) em Malabo, na Guiné Equatorial.

«Bingu anula a sua viagem para a cimeira da UA », anuncia o Weekend Nation, que cita o ministro dos Negócios Estrangeiros, Atta Banda, como tendo declarado que a equipa malawiana composta por responsáveis dos serviços de apoio à Presidência e do Governo, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da imprensa pública, tinha sido chamada de volta a partir de Malabo, a capital da Guiné Equatorial.

« O chefe de Estado pode decidir não participar (numa cimeira) em função da situação do seu país », de acordo com o jornarl.

Longas bichas nas bombas de combustíveis marcaram igualmente a atualidade na imprensa face à agravação da crise destes hidrocarbonentos.

A reviravolta do Governo relativa ao Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), sobre o sal,  os miudos  e a água continua a dar que falar à imprensa.

No entanto, a principal informação financeira é a decisão de Mutharika de ignorar os apelos do Fundo Monetário Internacional (FMI)  para desvalorizar o kwacha, moeda nacional.

«O FMI age unicamente como conselheiro e só pode oferecer melhores conselhos de que  dispõe, com base numa rica experiência obtida no decurso do tempo no Malawi e noutros países”, escreve o semanário Malawi News que cita o representante do FMI, Ruby Randall.

-0- PANA RT/BOS/NFB/AAS/SOC/FK/DD 3julho2011

03 july 2011 11:49:28


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