Medianeiros da crise centroafricana esperados em Paris

Paris- França (PANA) -- Os dois medianeiros da crise centroafricana, Henri Maïdou e Paulin Pomodino, são esperados em Paris, onde deverão encontrar com os opositores ao presidente Ange-Félix Patassé, revelou segunda-feira à PANA um líder de um partido político.
"Nomeados em Dezembro pelo presidente Patassé, Maïdou e Pomodino deviam chegar a partir do dia 27 de Janeiro último a Paris via Douala.
Mas a sua ida foi retardada por razões administrativas.
Não vão mais tardar a chegar em Paris para colherem a nossa posição sobre o diálogo nacional", afirmou o opositor que pediu o anonimato.
Acrescentou ainda que um debate acalorado desencadeou-se entre os opositores ao presidente Patassé em França sobre, por um lado, o estatuto de Pomodino, presidente da Conferência episcopal da R.
Centroafricana, e Maïdou, ex-Premiro ministro, e, por outro lado, sobre os pontos a debater durante a sua estadia em Paris.
"A nossa posição sobre este dois pontos é muito clara: Consideramo-los como os nossos emissários designados pelo presidente Patassé com os quais estamos prontos a trocar pontos de vista sobre a situação na R.
Centroafricana", declarou por sua vez à PANA o deputado Charles Massi.
Segundo o ex-ministro, que preside o Fórum para a democracia (FODEM), o seu partido reiterará oportunamente a sua oposição a toda ideia de amnistia geral unilateralmente decidida pelo regime de Bangui, a capital do país.
No seio da "plataforma", um agrupamento de vários partidos da oposição centroafricana criada em Dezembro último, sublinha-se igualmente que as duas personalidades foram escolhidas pelo presidente Patassé sem uma concertação prévia com a sua oposição.
Para nós, as duas personalidadesque virão encontrar-se connosco não são medianeiros da crise centroafricana.
Eles têm como missão favorecerem o diálogo nacional.
A nossa posição na plataforma continua a ser a saída do presidente Patassé do poder", repetiu à PANA Henri Grothe, coordenador da Plataforma, próxima do general François Bozizé.
A escolha do lugar que deve albergar o diálogo nacional promete discussões acaloradas entre os medianeiros e os opositores centroafricanos exilados em Paris.
O poder centroafricano propõe que "o debate nacional" seja organizado em Bangui, a capital do país, ao passo que certos opositores estimam que é preciso, por razões de segurança evidentes, realizá-lo fora do país.
"Temos confiança no presidente Omar Bongo para conduzir esta mediação.
Vamos rapidamente ter com ele para albergar este diálogo nacional em Libreville.
Deixemos-lhe a possiblidade de escolher qualquer lugar, onde o nosso debate possa se realizar com apoio da França", sugeriu Charles Massi.
Dirigido desde 1993 pelo presidente Ange-Felix Patassé, a R.
Centroafricana atravessa uma crise política crónica marcada pelas numerosas tentativas de golpes de Estado e uma rebelião armada.

03 Fevereiro 2003 18:31:00




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