Media africana acusada de dificultar a informação sobre HIV/SDA

Nairobi- Kenya (PANA) -- Numa altura em que a luta contra o HIV/SIDA em Àfrica está no seu ponto mais alto, o fraco impacto da cobertura dos medias sobre a epidemia constitui a principal dificuldade, o que pode siginificar um grande retrocesso na concretazição de uma sociedade livre do HIV/SIDA,denuncia um boletim de saúde.
O buletim, "African Media Women Professionals - HIV/AIDS and the Cultural Factor," refere que uma camada de repórteres tem estado a encontrar dificuldades em discutir assuntos relacionados com o HIV/SIDA devido a influência das suas crenças culturais e religiosas Africanas.
"Fortemente influenciados por crenças culturais e religiosas , os repórteres encontram -se numa encruzilhada sobre como discutir assuntos relacionados com o HIV/SIDA sem mencionar o comportamento sexual daqules que correm o risco de contrair a doença, tornado-se difícil (para os media)promover uma mudança de comportamentos" , afirma a publicação.
Entre outros factores impeditivos mencionados no relatório, apresentado durante um semnário regional da Árica Oriental para os praticantes de média, inclui-se a hostilididade aberta em relação aos repórteres e as casas de media, por estes divulgarem programas educacionais anti-HIV/SIDA: " Ao divulgarem assuntos sobre sexo ou uso de preservativos relacionados ao HIV/SIDA através da televisão e rádio, os repórteres muitas das vezes não se sentem bem ao lado da sogra ou sogro que os visita, com o filho ou a nora e seus filhos adolescentes sentados juntos na sala", acrescenta.
Uma pesquisa, de acordo com a publicação, concluiu que os medias jogam também o papel de estigmatizar as pessoas que padecem do HIV/SIDA através do uso de palavras « duras » tais como flagelo,praga e pandemia ao descrever o HIV/SIDA, "caracterizando assim a doença de forma demoníaca e estigmatizado quer os infectados como as pessoas afectadas".
A cultura dos repórteres ou organizações foi também citada como um factor determinante na fraca cobertura dos assuntos ligados ao HIV/SIDA, afirma a publicação que se queixa ainda do facto de que as casas de media ligadas à religião poderem decidir censurar qualquer assunto ligado ao HIV/SIDA, ou em caso de cobertura, poderem ser publicado com conceitos de carga religiosa.
"Algumas organizações religiosas em África têm desde há muito tempo a ideia de que o HIV/SIDA é uma doença dos pecadores, ao contrário do mundo ocidental, onde a igreja respondeu já rápidamente à epidemia e formulou medidas de prevenção e controlo, tais como o uso de preservativos", nota o relatório.
O estudo sublinha a necessidade dos médias romperem com estes tabús através de um jornalismo agressivo direccionado a educar a sociedade sobre os perigos do HIV/SIDA e as suas implicações culturais e religiosas.

06 Novembro 2002 17:00:00


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