Mbeki lidera missão de paz da UA para Côte d'Ivoire

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, é esperado terça-feira em Abidjan (Côte d'Ivoire) numa missão para promover o diálogo entre as partes beligerantes em cumprimento a um mandato da União Africana (UA), informou uma fonte da Comissão da UA em Addis Abeba.
O presidente da Comissão da UA, Alpha Oumar Konaré, deverá acompanhar o líder sul-africano nesta missão para a procura duma solução política para a crise ivoiriense, sublinhou a fonte.
A missão de Mbeki segue-se a consultas a alto nível realizadas na semana passada em Ota (Nigéria) entre a UA e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Entretanto, o Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA manifestou- se profundamente preocupado com a deterioração da situação na Côte d'Ivoire.
Na sua 19ª sessão de segunda-feira dedicada à situação na Côte d'Ivoire, o Conselho notou que a deterioração era resultado da falta de progressos na implementação dos compromissos assumidos pelas partes no acordo de Accra III.
Face à gravidade da crise ivoiriense, o Presidente do Congo Brazzaville, Denis Sassou Nguesso, enviou o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Rodolf Adada, para presidir o CPS que se reuniu a nível de embaixadores.
A presidência do CPS é realizada numa rotação mensal e o Congo Brazzaville assumiu a liderança em Novembro de 2004.
Embora o Conselho não tenha especificamente responsabilizado o Presidente ivoiriense Laurent Gbagbo, o órgão da UA indicou num comunicado que os recentes ataques pelas forças governamentais contra localidades no norte da Côte d'Ivoire ocorreram devido ao impasse que se regista na implementação do acordo de Accra III.
O CPS aprovou duas declarações emitidas no fim-de-semana pelo presidente da UA, o chefe de Estado nigeriano Olusegun Obasanjo, e o presidente da Comissão da UA, Alpha Oumar Konaré, que exprimem uma grande preocupação pela deterioração da situação política e humanitária na Côte d'Ivoire.
Todas as partes envolvidas na crise deveriam ter o mínimo de limitação, sublinhou o CPS, instando-as a manterem a calma e garantirem a segurança e protecção das vida e da propriedade.
O CPS apelou ainda as partes a pararem com os pronunciamentos que incitem o ódio e a violência, bem como a porem fim às acções militares e a outros actos hostis.
As partes da crise ivoiriense, defendeu o CPS, deveriam "tomar medidas para a redução da tensão e a promoção da reconciliação nacional e a unidade".
Relativamente à situação humanitária na Côte d'Ivoire, o Conselho apelou a comunidade internacional e as agências humanitárias para fornecerem ajuda necessária às populações afectadas.
"Em relação a isto, o Conselho insta as partes a criarem um ambiente conducente ao fornecimento seguro de ajuda humanitária", sublinha o comunicado.
Apelando as partes a voltarem a se engajar no caminho do diálogo, baseado nos acordos de Linas-Marcoussis e de Accra III, o CPS advogou que elas deveriam "cooperar plenamente com a ONUCI (Missão da ONU na Côte d'Ivoire) e com as forças (francesas) Licorne na manutenção da paz e da segurança no país".
O CPS saudou a decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre o reforço do mandato da ONUCI.

09 Novembro 2004 12:31:00




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