Manifestações de rua deverão retomar na Guiné Conakry

Conakry- Guiné (PANA) -- Habitantes de vários bairros desfavorecidos do subúrbio de Conakry, capital da Guiné Conakry, tencionam marchar sexta-feira após a oração das 14 horas para exigir a partida do Presidente guineense, general Lansana Conté, do poder.
A mesma determinação é perceptível nos táxis, cafés e outros locais de agrupamento onde as populações se recusam a conformar-se com o prazo fixado pela central sindical que diz esperar até segunda-feira a nomeação, aceite pelo Presidente, dum primeiro-ministro "de largo consenso" e chefe do Governo, durante a assinatura dum acordo global que suspendeu a greve geral desencadeada a 10 de Janeiro último.
Os residentes dizem não ter medo das armas após a morte a tiro de mais de 50 manifestantes a 22 de Janeiro quando as forças da ordem reprimiram violentamente uma marca pacífica que fez igualmente centenas de feridos.
Durante a marcha, responsáveis sindicais disseram terem visto militares bissau-guineenses a disparar contra os manifestantes, m as o Presidente João Bernardo "Nino" Vieira, que terminou segunda-feira passada uma visita de trabalho de 72 horas à Guiné Conakry, disse que nenhum militar do seu país esteve envolvido nas matanças.
"O meu país virá ao socorro da Guiné Conakry quando for afectada por uma agressão exterior como prevê o acordo comum de defesa que os nossos dois países assinaram", disse Vieira.
Os guineenses já não escondem a sua cólera para com o general Conté, que demora a nomear o primeiro-ministro apesar da recente assinatura dum decreto que define as atribuições deste futuro chefe de Governo.
O Presidente Conté nomeou recentemente embaixadores e um novo director do Porto Autónomo de Conakry.
Estas nomeações incitaram os secretários-gerais da União Sindical dos Trabalhadores da Guiné (USTG) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Guiné (CNTG) a ameaçar a retomada da greve se até segunda-feira próxima o Presidente Conté não nomear o primeiro- ministro como prometeu.
De acordo com várias fontes, o Presidente ainda não consultou ninguém na perspectiva da nomeação do primeiro-ministro.
O acordo assinado entre o Governo, as instituições republicanas e os sindicais exige que a escolha de Conté deve abranger um "guineense íntegro, patriota, competente, que nunca esteve envolvido em escândalos e que serviu e continuará a servir o seu país".
Os 14 partidos políticos da oposição, que apoiam os sindicatos, ameaçam igualmente apelar aos seus militantes a sair às ruas segunda- feira se o Presidente guineense não nomear o primeiro-ministro.

09 Fevereiro 2007 10:57:00


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