MJE condiciona reunião ao desarmamento de milícias sudanesas

N'Djamena- Tchad (PANA) -- O Movimento para a Justiça e Equidade MJE) do Sudão condicionou a sua participação no encontro das partes beligerantes em Darfur (oeste do Sudão), convocado para 15 de Julho próximo em Addis-Abeba, ao desarmamento prévio das milícias árabes apoiadas por Cartum, segundo o seu coordenador geral, Ahmed Tujod.
O referido encontro foi convocado pelo presidente da Comissão da União Africana (CUA), Alpha Omar Konaré, no quadro dos esforços da organização continental para resolver o conflito de Darfur onde o MJE e o Movimento de Libertação do Sudão (MLS) combatem as forças governamentais sudanesas aliadas às milícias árabes "Djanjawid".
"O governo sudanês tem de desarmar e neutralizar definitivamente as milícias Djanjawid antes da abertura de qualquer negociação com a direcção política e militar do MJE", afirmou Tujod numa entrevista exclusiva à PANA.
De acordo com ele, o seu movimento não tem confiança no governo de Cartum "que não respeita os compromissos que assume no quadro dos acordos de cessar-fogo que continua a violar impunemente".
Tujod, um advogado sudanês exilado no Reinado Unido, diz duvidar da vontade das autoridades sudanesas mas comprometeu-se a anunciar a posição definitiva do MJE, pelo menos 48 horas antes da reunião do 15 de Julho.
"Contamos muito com a comunidade internacional, em particular, com a União Africana, para pressionar o governo sudanês que, para fazer relaxar a forte pressão internacional sobre si, finge respeitar este compromisso sem o qual o nosso movimento não aceitará ir às negociações políticas em Addis-Abeba", explicou.
O coordenador geral do MJE acusou formalmente Cartum de levar a cabo "uma guerra racial contra a população negra na província de Darfur, visando a islamização e arabização completa de toda a região".
Denunciou os "crimes de guerra" perpetrados, segundo ele, pelas milícias árabes que seriam o braço armado duma "verdadeira política genocida na parte ocidental do Sudão".
Interrogado a propósito da ausência, em N'Djamena, de Minai Arkoy e Abdallah Abacar, dois responsáveis do Movimento de Libertação do Sudão (MLS), o outro movimento rebelde sudanês em Darfur, Tujod atribuiu-a a um "défice de confiança" perante Cartum que, segundo ele, "nunca jogou com franqueza".
Arkoy e Abacar indicaram, num comunicado divulgado sexta-feira por uma rádio internacional, não se sentirem vinculados para a abertura das negociações políticas directas com o regime sudanês, na capital etíope.

03 Julho 2004 18:12:00




xhtml CSS