Luta contra a excisão no Mali

Bamako- Mali (PANA) -- Cerca de 94 por cento da população feminina de 15 a 49 anos de idade sofreram excisão, revelou terça-feira Keïta Josephina Traoré, Directora do Comité Nacional de Acção para o Abandono das Práticas Nefastas à Mulher e à Criança.
Keïta fez esta revelação durante um fórum nacional dos comunicadores tradicionais, especialmente os "griots", sobre o abandono da prática da excisão.
Este fórum, o primeiro do género organizado no Mali pela rede de comunicadores tradicionais, em colaboração com o ministério maliano da Promoção da mulher, criança e família, visa promover a saúde da mulher na sociedade maliana.
O encontro, que visa igualmente expor as razões da prática da excisão para uma melhor sensibilização das populações, deverá permitir aos "griots" opinar sobre esta matéria, segundo os organizadores do encontro.
Várias organizações de mulheres e ONGs no Mali estão envolvidas na luta contra a excisão, considerada como uma prática degradante e prejudicial à saúde da mulher.
Criado em 1996, o Comité Nacional de Acção para o Abandono das Práticas Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança luta pela eliminação total da excisão no Mali e para o estabelecimento das relações funcionais com as estruturas nacionais e internacionais envolvidas na luta contra o flagelo.
Em várias localidades malianas, os praticantes deste ritual, com a ajuda de ONGs e Organizações femininas, abandonaram esta prática em prol das actividades lucrativas como a pintura, costura e horticultura, financiadas por estas organizações.

23 Janeiro 2003 08:40:00


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