Líderes da CEDEAO aprovam envio de tropas a Libéria

Accra- Gana (PANA) -- A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) aprovou formalmente quinta-feira o envio a Libéria da Força de Vanguarda de Interposição da CEDEAO até segunda-feira.
A organização apelou também ao Gana, Mali, Benin e Togo a assegurarem um envio de tropas adicionais três semanas depois do desdobramento dos 1.
500 soldados nigerianos.
A CEDEAO vai contribuir com uma força de 5 mil homens que será posteriormente substituída por uma força internacional de estabilização.
A aprovação está contida num comunicado de 28 pontos divulgado no final de uma cimeira extraordinária da CEDEAO, que durou um dia, organizada em Accra para discutir o envio de tropas a Libéria e o financiamento da missão de manutenção de paz.
Os líderes regionais instaram a formação de um governo de transição na Libéria após o envio das tropas e a demissão do Presidente Charles Taylor, que iria iniciar o processo para a restauração da governação democrática.
Eles exprimiram o desejo de verem o governo de transição funcionar respeitando o máximo a Constituição liberiana de 1986.
Os líderes da CEDEAO decidiram enviar a Monróvia uma delegação de quatro pessoas composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do Gana, Nigéria, Togo e o secretário executivo da CEDEAO para informar o Presidente Taylor dos resultados da cimeira e preparar a sua entrega do poder e saída da Libéria.
A CEDEAO referiu que a primeira tarefa da Força de Vanguarda deveria ser a criação de condições adequadas para a entrega do poder e a saída da Libéria do Presidente Taylor.
O comunicado sublinha que os chefes de Estado acordaram três dias após a entrada das tropas da CEDEAO na Libéria, o Presidente Taylor iria entregar o poder ao seu sucessor e partir para a Nigéria.
Adianta que nenhum líder das três partes beligerantes deveria ocupar os cargos de Presidente e Vice-Presidente no governo de transição da Libéria.
Os chefes de Estado reiteraram a posição da CEDEAO sobre o não- reconhecimento de qualquer tomada do poder pela força e afirmaram o seu apoio ao Protocolo sobre Democracia e Boa Governação da CEDEAO de 2001 e a decisão da União Africana tomada em Argel, que condenam uma mudança inconstitucional de governo.
Reafirmaram ainda os compromissos assumidos nos termos do Protocolo da CEDEAO de 1978 sobre não-agressão para não encorajar ou aceitar actos de subversão, hostilidade e agressão contra a integridade territorial de outro Estado membro e comprometeram-se em não permitir o uso dos seus territórios para actividades mercenárias.
Os líderes da CEDEAO apelaram a uma cessação imediata das hostilidades e o respeito pelas partes beligerantes - LURD, MODEL e o governo liberiano - dos seus compromissos nos termos do acordo de cessar-fogo assinado a 17 de Junho em Accra.
Apelaram também aos participantes liberianos das conversações de paz em Accra a redobrarem os seus esforços para o alcance de um acordo de paz e elogiaram o general Abdulsalami Abubakar pelo tempo e o esforço que está a dedicar ao processo de mediação e os membros do Grupo Internacional de Contacto para a Libéria (ICGL) para a facilitação do processo.
Comprometeram-se também a darem uma contribuição imediata ao Fundo de Paz da CEDEAO, que ajudaria a facilitar o envio da Missão da CEDEAO na Libéria (ECOMIL).
Acordaram igualmente que uma contribuição avaliada deveria ser feita por cada Estado membro no Fundo para garantir uma partilha proporcional do fardo do esforço de paz na Libéria.
Os líderes saudaram o apoio prestado até agora a CEDEAO pela comunidade internacional, particularmente as Nações Unidas, a União Europeia, Estados Unidos e o Japão.
A cimeira foi assistida pelos Presidentes Olusegun Obasanjo da Nigéria, Gnassingbe Eyadema do Togo, Madam Isatou Njie-Saidy, Vice-Presidente da Gâmbia, e representantes da Guiné Conakry, Burkina Faso, Côte d'Ivoire, Níger, Benin, Mali, Senegal e Serra Leoa.
Nyundueh Monokormana, presidente do Parlamento, representou a Libéria no encontro.

31 Julho 2003 21:29:00




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