Líderes africanos convidados a instar G-8 a cumprir com promessas

Banjul- Gâmbia (PANA) -- Um grupo de organizações da sociedade civil instou terça-feira os líderes do continente a obrigar os seus homólogos do G8 (grupo das oito nações mais industrializadas do mundo) a respeitar os seus compromissos assumidos durante a cimeira de Gleaneagles (Escócia).
O grupo convidou os líderes africanos, que se reunirão de 1 a 2 de Julho próximo em Banjul, a respeitar igualmente os seus compromissos para com "as crianças de África", consagrando 15 por cento das suas despesas ao sector da saúde.
Os representantes das organizações da sociedade civil, do Fórum Africano e a Rede sobre a Dívida e Desenvolvimento (AFRODAD) e da "World Vision" falavam durante uma conferência de imprensa organizada em colaboração com a "OXFAM".
Os líderes do G8 decidiram, durante a cimeira realizada em Julho de 2005 em Gleaneagles, duplicar a ajuda a favor de África até 2010.
Prometeram que a ajuda destinada aos países em via de desenvolvimento aumentaria para cerca de 50 biliões de dólares americanos até 2010, dos quais 25 biliões suplementares serão, pelo menos, consagrados anualmente ao continente africano.
Os dirigentes do G8 decidiram igualmente que todas as dívidas contraídas pelos Estados elegíveis à iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados junto da Associção para o Desenvolvimento Internacional (IDA), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD) deverão ser anuladas e prometeram igualmente um acesso universal ao tratamento para as pessoas infectadas com o HIV/Sida até 2010.
Mas, a OXFAM declarou que um milhão e 500 mil mães e 11 milhões de crianças morreram de sida em África devido à pobreza e à injustiça.
O director executivo da AFRODAD, Charles Mutasa, convidou, por seu turno, os líderes do G8 que se reunirão em Julho próximo em São Petersburgo (Rússia) para resolver rapidamente a questão sobre os países ainda não elegíveis à iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados.
Convidou igualmente os líderes africanos para trabalhar para a anulação da dívida dos países do continente ou solititar uma repudiação da dívida e uma moratória sobre ela.
O responsável da AFRODAD instou igualmente os Estados africanos beneficiários do cancelamento da dívida a evitar cair numa outra armadilha da dívida e a investir os recursos provenientes da anulação no sector social.
No que diz respeito ao tratamento das pessoas portadoras do HIV/Sida, a conselheira regional de World Vision para África, Amboka Wameye, notou que apenas alguns compromissos do G8 foram respeitados.
"Há um ano, 15 milhões de crianças afectadas pela sida foram privadas de tratamento e de apoio adequados", declarou.
"O tratamento universal é muito importante para as crianças africanas", sublinhou Wameye, notando que "sete milhões e 800 mil crianças serão órfãs se nada for feito até 2010".
"Queremos que os países do G8 insistam particularmente nas questões relativas ao HIV/Sida e ao tratamento universal", declarou a responsável desta Organização não Governamental, convidando os líderes que representarão África na próxima cimeira do G8 a defender uma maior consideração do continente.
Observadores receiam que África não beneficia da mesma atenção atribuída durante a cimeira de Gleaneagles devido à posição reservada às questões relativas ao HIV/Sida e ao alívio da dívida na agenda da cimeira de São Petersburgo.

28 Junho 2006 12:14:00




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