Líderes africanos adiam apropriação da NEPAD pela UA

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- No termo duma série de discussões organizadas em Addis Abeba, os dirigentes africanos adiaram a decisão relativa à integração da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) na União Africana (UA).
"Tivemos alguns bloqueios", declarou o Presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, que presidiu à reunião do Comité Director da NEPAD com o seu homólogo sul-africano, Thabo Mbeki.
A NEPAD devia oficialmente tornar-se uma instituição da União Africana se a proposta, feita na Cimeira de Banjul em Julho passado, fosse adoptada.
Mas, de acordo com algumas fontes, a delegação sul-africana presente na reunião exprimiu-se reticente a esta ideia.
"Analisámos os progressos feitos no quadro da integração da NEPAD na UA e tivemos alguns bloqueios.
Em Banjul, decidimos organizar uma sessão de reflexão a fim de discutir as questões de importância para o desenvolvimento de África", disse Obasanjo durante uma conferência de imprensa organizada no final da reunião.
A sessão de reflexão, prevista para Dakar (Senegal), não foi realizada.
A Cimeira da NEPAD adiou a decisão até Março, data marcada para um encontro similar na Argélia para abordar a questão, prosseguiu Obasanjo.
De acordo com ele, a reunião desembocou, contudo, na nomeação do primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, como presidente da NEPAD.
Os peritos criticaram a incapacidade dos líderes africanos de tomar uma decisão em Addis Abeba e afirmaram que isto reflecte a indecisão destes últimos sobre questões que deveriam ver um "pool" de peritos em missão junto da Comissão da UA.
"Esta incapacidade, uma vez mais, de acordar sobre a integração da NEPAD reflecte a indecisão do Comité de Execução (desta iniciativa) dos chefes de Estado e de Governo", comentou Irungu Houghton, conselheiro da ONG OXFAM Grã-Bretanha para política panafricana.
Esta incapacidade de acordar em relação a este projecto "deixa o pessoal da Comissão da UA e da NEPAD na divisão e deixa África na incerteza de saber que defende realmente a causa do desenvolvimento" no continente, deplorou Irungu.
Entretant, o Presidente Obasanjo lembrou que o conclave sobre o Mecanismo Africano de Revisão Paritária (MAEP) constituiu o sexto da série desde a sua criação com vista a fazer-se o chantre do engajamento de África em adoptar melhores práticas em matéria da auto-governação.
A reunião sobre o MAEP passou em revista os relatórios apresentados pelo Gana, pelo Quénia e pelo Ruanda, primeiros entre os 25 países africanos a aceitar submeter-se ao mecanismo.
De acordo com Obasanjo, os relatórios eram "satisfatórios" e identificaram sectores que necessitam de melhorias.
São Tome e Príncipe tornou-se no último país a integrar o MAEP, elevando assim o número de aderentes para 26, enquanto a África do Sul aceitou subscrever ao teste este ano.

29 Janeiro 2007 13:32:00




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