Lepra deixou de ser doença com expressão em Cabo Verde

Praia- Cabo Verde 30 Jan (PANA) -- A lepra deixou de ser uma doença com expressão em Cabo Verde onde a taxa de incidência desta enfermidade é, neste momento, inferior a 0,1 por mil habitantes, soube-se quinta-feira na cidade da Praia.
De acordo com uma fonte Centro Nacional de Lepra, na ilha do Fogo, citada pela agência cabo-verdiana de notícias (INFORPRESS), a incidência é tão baixa que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a doença praticamente eliminada em Cabo Verde.
No entanto, a responsável do centro, conhecido como "Casa Betânia", Teodora Carvalho, alerta para o facto de ainda não se poder afirmar com toda a certeza que a doença foi definitivamente erradicada do arquipélago uma vez continuarem a surgir casos esporádicos de lepra em Cabo Verde.
Para assinalar o Dia Mundial da Lepra, celebrado anualmente no último domingo de Janeiro, a Casa Betânia, que se encontra vazia, já realizou um encontro com ex-doentes para os sensibilizar sobre a situação actual da doença em Cabo Verde e no mundo e a forma da reintegração na sua sociedade.
Em 2002 foram diagnosticados quatro novos casos da doença no arquipélago e, até o final do ano passado, encontravam-se em tratamento cinco pessoas, sendo três do concelho da Praia, um da Ilha do Fogo e outro da Ilha do Sal, que estão sendo acompanhados pela Casa Betânia, o único centro existente em Cabo Verde especializado no tratamento desta enfermidade.
Teodora Carvalho disse à INFORPRESS que geralmente os doentes em tratamento são acompanhados durante um período de cinco anos.
O Centro Nacional de Lepra acompanha também neste momento 10 ex-hansianos (doentes de lepra) que ainda apresentam algumas sequelas da doença.
A Casa Betânia foi construída ainda na época colonial para funcionar como "leprosaria", mas devido ao abandono dos doentes por parte das autoridades sanitárias de então, ela viria a ser reactivada a partir de 1973 pelos padres da Ordem dos Capuchinhos em missão na ilha do Fogo, passando então a funcionar sob a orientação das Irmãs Franciscanas.
De 1978 até à década de 90, o centro funcionou graças ao apoio da Associação Italiana dos Amigos de Raoul Follereau (AIFO), organização não governamental italiana que contribui grandemente para a drástica redução desta doença em Cabo Verde, onde no passado teve alguma expressão sobretudo nas ilhas do Fogo e de Santo Antão.
De salientar que a AIFO continua ainda a apoiar o funcionamento da Casa Betânia, sobretudo com medicamentos específicos, enquanto o Ministério da Saúde assegura o salário do pessoal e o fornecimento dos medicamentos para outras patologias.
Este ano, a Casa Betânia vai comemorar as bodas de prata do funcionamento pleno dessa instituição, cujo papel na eliminação da lepra foi reconhecido pelo então Presidente da República, António Mascarenhas Monteiro, quando atribuiu um condecoração do Estado cabo-verdiano a esta instituição.

30 Janeiro 2003 17:03:00


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