Kufuor e Konaré divergentes sobre Estados Unidos de África

Accra- Gana (PANA) -- O presidente em exercício da União Africana, o chefe de Estado ganense John Kufuor, e o presidente da Comissão da UA, Alpha Oumar Konaré, desenvolveram duas posições divergentes no procedimento a seguir para os Estados Unidos de África.
Kufuor e Konaré defenderam as suas posições durante a cerimónia de abertura da Nona Cimeira da União Africana (UA), domingo em Accra, que deu um antegosto apaixonado do grande debate sobre o Governo continental que deverão manter, segunda-feira, os chefes de Estado africanos presentes na capital ganense.
O líder ganense defendeu haver premissas a satisfazer antes de criar um Governo da união em África, considerando que a liberdade de circulação de bens e pessoas, o estabelecimento duma união aduaneira, a criação duma moeda comum, a harmonização das políticas de segurança e a criação duma força africana para impôr a paz e a estabilidade são condições necessárias para desenvolver o continente.
Kufuor juntou-se aos defensores do procedimento gradual para os Estados Unidos de África, que dizem ser necessário consolidar a integração económica, através da racionalização das Comunidades Económicas Regionais, antes de passar para a etapa superior.
Pelo contrário, Alpha Oumar Konaré disse que a integração política é a única via que se oferece à África, se ela quiser desenvolver-se.
"Qualquer outra opção vai levar ao impasse", sustentou.
Defendendo esta posição, Alpha Oumar Konaré inscreve-se na esfera de influência dos Estados que queram a criação dum Governo da União.
Os defensores desta posição, o Senegal e a Líbia, que priorizam a política sobre a economia, dizem que a criação das Comunidades Económicas Regionais não permitiu atingir os objectivos fixados em matéria de liberdade de circulação de bens e pessoas, desenvolvimento das trocas entre os países africanos e harmonização das políticas comerciais, aduaneiras e outras.
Por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Tidiane Gadio, sublinhou que chegou a hora das escolhas.
Numa recente entrevista à PANA, Gadio disse que "se deve chegar a uma solução de compromisso para guardar a vontade da unidade continental", sugerindo que se "pode instaurar um mecanismo para continuar o debate, mas os que estão prontos para assinar imediatamente um Acto Constitutivo dum Estado Federal ou dum Governo de união e que, por exemplo, mostram o valar acrescentado no terreno e pela prática".
Estas declarações se apresentam como uma vontade de proclamar o Governo continental a qualquer preço.
Entretanto, o chefe da diplomacia senegalesa interrogou-se sobre as intenções dos "radicais".
"Os que estão prontos não devem prejudicar os outros que não estão e da mesma maneira os que estão prontos não devem ser retidos pela camisa", sublinhou.
Sem dúvida, o grande debate sobre o Governo de união que deve ter lugar segunda-feira na capital do Gana promete ser animado e intensas negociações foram efectuadas incessantemente nos bastidores para levar os indecisos a mudar de posição.
O líder líbio, Muamar Kadafi, é muito activo a esse respeito.
De acordo com fontes de Tripoli, a digressão que ele acaba de efectuar pela África Ocidental permitiu-lhe ir ao campo dos radicais, "países que dizem ser necessário dar tempo ao tempo antes da proclamação dos Estados Unidos de África".

02 Julho 2007 10:20:00




xhtml CSS