Konaré insta África a mudar de estratégia

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O presidente da Comissão da União Africana, Alpha Oumar Konaré, instou, terça-feira, em Addis Abeba, os chefes de Estado africanos a mudarem de estratégia para fazer face aos males que enfermam o continente há várias decadas.
Konaré, que falava na abertura da III sessão ordinária da Assembleia Geral da União Africa que decorre até a 8 de Julho na capital etíope, evocou a "inanidade" das diferentes medidas tomadas até agora para bloquear o processo de degradação da situação de todo o continente, que qualifica hoje de "grave".
"Esta situação não é uma fatalidade.
Ceder ao desânimo seria hoje suicida.
Na verdade, os tempos são duros, certamente, todos os grandes encontros internacionais organizados até agora, todas as soluções preconizadas até aqui não tiveram sucesso, não conseguiram inverter a tendência", disse.
No entanto, declarou-se convencido de que só a aplicação de "uma estratégia de presença, de afirmação e de responsabilidade pode provocar uma inversão desta preocupante tendência".
De acordo com Konaré, esta estratégia exigirá a realização de uma "grande unidade" que se construirá nomeadamente "numa solidariedade, muitos sacrifícios, novas alianças, e entre estas alianças, com os povos e governos do mundo, uma grande fraternidade afro-árabe, mais afirmada, melhor assumida em nome de uma África unida".
Para o presidente da Comissão da UA, da mesma maneira que se deseja a Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), a estratégia que preconiza deve-se traduzir-se, entre outras, na execução de grandes trabalhos continentais no domínio da cultura, infra-estruturas, a tomada de grandes iniciativas na gestão das fronteiras, na dinâmica dos países-fronteiras, a livre circulação ou nos domínios da formação e das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTIC).
"A aplicação de uma tal estratégia exigirá que reforcemos as nossas capacidades de negociação, que apliquemos "uma estratégia de influência.
Exigirá que os melhores africanos e africanas do continente e os da diáspora se ponham ao serviço de África", explicou.
Mas esta empresa tem um custo que, segundo ele, exigirá "mais recursos que nem a anulação total da dívida pedida há mais de 25 anos, nem a duplicação da ajuda pública ao desenvolvimento, prometida há mais de 30 anos, permitirão acumular".
Estes dois montantes juntos apenas representam 45 biliões de dólares de recursos adicionais, enquanto a execução da NEPAD necessitará de cerca de 64 biliões de dólares por ano, disse.
"África necessita hoje de um apoio mais substancial da dimensão do que a Europa recebeu da América depois da Segunda Guerra Mundial, do que a União Europeia oferece aos seus novos aderentes", estimou.
Por isso, o presidente da Comissão sugeriu a exploração de novas vias de mobilização de recursos, como base nomeadamente na tributação de transacções financeiras internacionais e vendas de armas.
O presidente Konaré reconhece que a mobilização de recursos de uma tal importância incumbe aos chefes de Estado africanos, aos quais é solicitada uma contribuição anual representando 0,5 das suas receitas brutas do ano, para reunir cerca de 1,7 bilião de dólares, durante três anos, para a aplicação dos programas inscritos no Plano de acção 2004/2007 da Comissão.
"Não temos nenhuma dúvida que disponibilizarão meios de uma tal ambição que saberemos traduzir com realismo, com pragmatismo, determinando as fases e as indispensáveis hierarquias.
Com realismo, mas também com determinação, porque não se trata de um combate para amanhã mas de uma batalha a começar a partir de hoje (.
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)", disse o ex-chefe de Estado maliano.

06 Julho 2004 15:13:00




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