Konaré deplora violações de direitos de mulheres em África

Addis-Abeba- Etiópia (PANA) -- As violações e recusas frequentes dos direitos e das liberdades fundamentais da mulher continuam a intensificar a feminização da pobreza e do HIV/Sida em África, de acordo com o presidente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré, que divulgou um comunicado por ocasião da celebração do Dia Internacional da Mulher.
Konaré denunciou a recusa persistente das sociedades tradicionais africanas de permitir às mulheres e raparigas terem um acesso livre aos recursos e bens económicos para o reforço da sua posição nos planos económico, político e social.
O Dia Internacional da Mulher, proclamado há 30 anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas para promover uma paz, um progresso social global, os direitos humanos e as liberdades fundamentais, é celebrado a 8 de Março no mundo inteiro.
A UA celebra igualmente o Dia Panafricano da Mulher em Julho de cada ano.
Konaré constatou que, com o decorrer do tempo a necessidade de reconhecer e admitir a contribuição das mulheres para o desenvolvimento, a paz e a segurança está inclusa no discurso sobre o desenvolvimento.
Segundo ele, o Dia Internacional da Mulher tornou-se numa oportunidade para avaliar os progressos alcançados com vista à realização da igualdade entre os sexos, da paz e do desenvolvimento em geral, acrescentando que esta celebração deve oferecer às nações a possibilidade de unir os seus esforços para reforçar os direitos das mulheres e a sua participação no desenvolvimento socioeconómico.
O presidente da Comissão da UA sublinhou que a situação das mulheres em África necessita esforços concertados para as propulsar ao mesmo nível que os seus homólogos masculinos em todos os aspectos do desenvolvimento humano, da paz e da segurança.
Konaré notou igualmente que tendo em conta a feminização da pobreza, do HIV/Sida e da violência contra as mulheres, se torna imperativo celebrar o Dia da Mulher no quadro dum processo que permita passar em revista a importância das respostas dadas colectivamente por África a estas questões.
O Dia Internacional da Mulher deste ano foi celebrado sob o lema "Pôr Termo à Impunidade dos Autores de Actos de Violência contra as Mulheres e Raparigas".
Segundo Konaré, a violência contra mulheres e raparigas atingiu níveis sem precedentes em África.
Deplorou que os abusos sexuais caracterizados pela violação de mulheres de todas as idades, incluindo bebés de menores de um ano, o fenómeno das mulheres batidas que sofrem de traumatismo, de infirmidade física e psicológica permanente ou morrem de violência continuam a intensificar-se.
As práticas tradicionais nocivas contra as mulheres e as raparigas tais como as mutilações genitais femininas, os testes de virgindade, os casamentos precoces e forçados e a herança de mulheres continuam a obstruir os esforços do continente a favor da igualdade entre os sexos e do reforço da autonomização das mulheres, deplorou Konaré antes de acrescentar que a situação das mulher em período de conflito está deplorável.

09 Março 2007 10:52:00


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