Konaré denuncia atitudes de parceiros de África

Addis Abeba- Etiópia (África) -- O presidente da Comissão da União Africana, Alpha Oumar Konaré, interpelou, na abertura da Oitava Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da organização panafricana, os parceiros internacionais de África.
"Não nos humilhem através da maneira de conceder doações e ajudas", disse Konaré aos parceiros estrangeiros.
"Vocês não podem ser mais responsáveis do que os africanos", acrescentou, pedindo-lhes "para respeitar África das responsabilidades".
As instituições de Bretton Woods, nomeadamente o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), não foram poupadas por Konaré que, ao reconhecer que estas estruturas fizeram muitas coisas (para África), denunciou o "diktat" exercido por estes doadores de fundos sobre os países africanos através de políticas que nem sempre defendem os interesses de África.
Konaré pediu aos líderes africanos "para ser mais responsáveis e lutar pelo continente".
"Vamos nos bater como o fizemos para pôr termo à escravatura e ao apartheid", sustentou, acrescentando que "é esta luta que nos permitirá ganhar a batalha do desenvolvimento".
Defendeu "uma outra África que conta consigo própria e rompe com a assistência", sonhando assim com um continente "forte que discute em toda soberania com os outros países".
Konaré declarou-se indignado com a maneira como o ex-Presidente iraquiano, Saddam Hussein, foi executado.
"O que se passou no Iraque é inadmissível com a execução dum ex-Presidente feita em condições inimagináveis", declarou, qualificando a reacção do primeiro-ministro iraquiano de incompreensível.
Como o fez durante a reunião do Comité Executivo, a 25 de Janeiro, Konaré falou longamente dos conflitos que assolam África para apelar a soluções rápidas e a uma mudança de cmportamento.
O presidente da Comissão da UA pediu aos chefes de Estado africanos para adoptar o princípio da não-indiferença que é "uma ingerência solidária".
A não-impunidade e a recusa da agressão dum país a partir dum outro Estado deverão ser princípios intangíveis partilhados por todos os países africanos, sublinhou.
Pediu aos países africanos para envidar esforços com vista a enviar tropas à Somália e dar meios à União Africana para cumprir com esta missão.
"Não nos devemos remeter aos parceiros internacionais", defendeu o presidente da Comissão da UA, saudando a decisão da Argélia de assumir o envio de tropas à Somália.

30 Janeiro 2007 11:55:00




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