Konaré defende negociações sobre crise em Darfur

Addis-Abeba- Etiópia (PANA) -- O presidente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Omar Konaré, insistiu na necessidade de negociações políticas para resolver a crise em Darfur, onde uma animosidade comunitária agravou uma sublevação de dois movimentos rebeldes contra o governo sudanês.
Na sua comunicação sobre Darfur, na reunião do Conselho de Paz e Segurança, domingo em Addis Abeba, Konaré sustentou que a reunião de 15 de Julho entre o governo do Sudão e os rebeldes do Movimento de Libertação do Sudão (SLM) e do Movimento Igualidade e Justiça (JEM) era obrigatória e não negociável.
Preveniu contra a tendência de excluir a UA destas negociações, declarando que a organização seria desacreditada se a situação transbordasse.
"Se deixarmos um vazio, são os outros que o vão ocupar.
Queremos manter a unidade e a paz no Sudão", declarou Konaré aos 15 membros do Conselho cujas decisões serão apresentadas aos chefes de Estado e de governo na Cimeira da UA de 6 a 8 de Julho.
"Não há genocídio em Darfur e não devemos brincar com as palavras.
Entretanto, a situação humanitária é grave e poderá piorar se medidas urgentes não forem tomadas rapidamente para resolvermos a situação", sublinhou.
Konaré justificou o seu apelo para a protecção dos observadores da UA declarando que essa protecção era necessária não porque a Comissão da UA tinha perdido confiança no governo do Sudão, mas devido à perda de confiança das populações deslocadas internas em relação às forças de segurança sudanesas.
Antes do pronunciamento de Konaré, o ministro sudanês dos Negócios Estrangeiros, Mustafa Osman, reclamou contra o desdobramento de um dispositivo de segurança para proteger os observadores da paz quando, disse, eram as populações deslocadas que mais precisavam de protecção.
Lamentou que não houvesse nenhuma ONG africana a efectuar operações de ajuda em Darfur, sublinhando que "isto não é bom para a solidariedade africana".
Osman felicitou o governo do Sudão por ter tomado a decisão de desarmar as milícias Djandjawid, frisando que estas não eram uma ficção mas uma realidade.

06 Julho 2004 14:25:00




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