Konaré defende fortalecimento da Comissão da UA

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A Comissão da União Africana (CUA) deve ser remodelada e reforçada, anunciou o seu presidente cessante, Alpha Oumar Konaré, que falava domingo em Addis Abeba durante a abertura da 12ª sessão ordinária do Conselho Executivo da organização panafricana.
Sublinhando que a UA deve ser reforçada e que a experiência accumulada nos últimos quatro anos deve ser explorada, Konaré reafirmou a sua decisão de se retirar no fim do seu mandato.
Insistiu na necessidade de se remodelar as estruturas da Comissão e de reforçar os seus poderes, pedindo ao Conselho para ter em conta o de facto que o presidente da CUA, que é o chefe do executivo da UA, deve beneficiar dum poder real para estar em condições de fazer trabalhar a organização em equipa.
"A nossa organização é jovem.
Durante quatro anos pedimos mudanças para a Comissão, pois não é possível prosseguir com a estrutura actual", notou Konaré.
Fazendo referência a um relatório do painel de alto nível sobre a auditoria da UA que será apresentado durante a sessão para exame, o presidente da Comissão afirmou que o documento deve servir de referência para todos, se se desejar melhorar a eficácia da Comissão.
O presidente em exercício da União, o chefe de Estado ganense John Kufuor, criou o painel, encarregando-lhe de passar em revista o funcionamento e a gestão da Comissão da UA.
O painel já fez várias observações e recomendações que serão submetidas na próxima semana, para adopção, à Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União.
Segundo Konaré, os membros do painel fizeram um bom trabalho que poderá inspirar as decisões que serão tomadas.
Sublinhando que a transformação institucional da UA é uma urgência, Konaré advertiu que consideráveis recursos humanos e materiais deverão estar disponíveis para assumir os novos desafios.
Observou que estes problemas não poderão ser resolvidos enquanto não forem introduzidas as mudanças exigidas no trabalho da Comissão.
Konaré agradeceu ao Conselho Executivo pela confiança que lhe foi mantifestada ao designá-lo à frente da CUA para servir o continente africano.
Apelou aos Estados membros para velar pelo sucesso da próxima Comissão com vista a uma melhor gestão e à gestão dos novos desafios.
Reconheceu que algumas decisões exigem tempo, pois é preciso primeiro aprofundar os conhecimentos, deplorando que os últimos dois anos foram consagrados apenas a discursos e esperando que a nova Comissão e o novo presidente possam realizar a sua missão com êxito.
"Devemos criar as condições necessárias, mas isto não é possível com as regras actuais", disse.
Excluiu a possibilidade de disputar um novo mandato, defendendo que "disse claramente que eu não me candidato e que não desejo a renovação do meu mandato.
Afirmei-o e reafirmei-o e digo ainda hoje que não vou candidatar-me".
Declarou, entretanto, que não abandonará a UA, prometendo estar mais do que nunca presente "ao vosso lado" para tentar fazer avançar a integração do continente, pois não há nenhum futuro fora da integração.
Konaré notou que, apesar dos graves conflitos que assolam o continente, progressos foram registados nos domínios da governação e da democracia.
"Tenho a convicção de que as coisas não mudarão dum dia para o outro no continente.
Mas todos os que observam África constatarão que as coisas estão a progredir.
Mas não basta para erradicar a pobreza", sustentou.
Revelou que as mutações no continente não deverão ser o resultado dum milagre, explicando que não é graças à ajuda externa que as coisas mudarão.
Defendeu que África deve utilizar os seus próprios recursos, velar por que os seus produtos sejam melhor renumerados, transformar as suas próprias matéria-primas e garantir que os seus mercados não sejam inundados e invadidos.
Sobre as negociações em curso com os países industrializados relativas aos Acordos de Parceria Económica, Konaré advertiu os países africanos, pedindo-lhes para se recusar a ser transformados em simples mercados.
O presidente cessante da CUA disse que, se os países africanos não se unirem, todo o mundo tentará despojá-los, recomendando que se faça o balanço destes acordos para garantir que as parcerias em construção não obstruam as relações bilaterais.

28 Janeiro 2008 15:03:00




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