Konaré convoca beligerantes de Darfur em Addis-Abeba

N'Djamena- Tchad (PANA) -- Os representantes do governo e dos dois principais movimentos rebeldes sudaneses, o Movimento para a Justiça e a Equidade (MJE) e o Movimento de Libertação do Sudão (MLS), devem encontrar-se a 15 de Julho próximo em Addis-Abeba, para negociações políticas directas, sob a égide da União Africana (UA).
Este encontro foi anunciado sexta-feira, em N'Djamena, pelo presidente da Comissão da União Africana, Alpha Omar Konaré, durante a instalação oficial da Comissão Conjunta de Vigilância do Cessar-fogo (CCVC), na presença dos beligerentes de Darfur.
Estiveram também presentes na cerimónia representantes da presidência e da Comissão da União Europeia (UE), dos Estados Unidos, da França, da Alemanha e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Segundo o presidente da Comissão da UA que desejou que todas as partes "se façam representar ao mais alto nível", não será aceite nenhuma objecção à data marcada com o acordo de todos os membros da CCVC, tendo em conta a gravidade da situação que prevalece na província de Darfur.
"Esta situação preocupa-nos porque pode ser contida antes da estação das chuvas que pode torná-la mais grave ainda", justificou Konaré, que convidou as partes em conflito "a não entravarem inutilmente a missão" da Comissão, respeitando o cessar-fogo.
"O tempo que passa é tempo perdido diante dos sofrimentos das populações que se acumulam, com o desgaste que continua", explicou antes de instar os beligerantes a assumirem as suas responsabilidades.
"15 de Julho é a data anunciada pela União Africana.
Temos todos de a respeitar.
Temos de fazer tudo para que o cessar-fogo seja respeitado, que as milícias "Djandjawid" estejam neutralizadas, mas também que as forças rebeldes sejam acantonadas.
Se isso não for garantido, estaremos perante uma lógica de ataques e contra- ataques", preveniu Konaré.
Advertindo os seus interlocutores contra uma "evolução negativa da situação" que poderá, segundo ele criar "a duplicidade e a manipulação", o presidente da Comissão da União Africana acusou todos os beligerentes de violarem regularmente e impunemente o cessar-fogo.
"Há violações do cessar-fogo dos dois lados.
É preciso pôr as cartas na mesa e respeitar os vossos compromissos para reduzir os sofrimentos do povo sudanês", disse Konaré aos beligerantes da crise de Darfur.
Convidou-os, por outro lado, a entrarem numa via do diálogo político pois, indicou, "o problema de Darfur é político e portanto a sua solução é política".
"Ajudemo-nos todos a caminhar em direcção à paz.
Não há vias alternativas à paz.
O Sudão tem de caminhar para a democracia, unido e pluralista", estimou o presidente da Comissão da União.
Pediu aos seus parceiros que confiassem na sua vontade de "assumir todas as responsabilidades", quanto à cessação dos prejuízos aos direitos humanos e ao castigo dos seus autores.
Por seu turno, o chefe de Estado tchadiano, Idriss Déby, que presidiu à sessão de abertura do encontro, apelou para o respeito dos acordos de cessar-fogo concluidos aos 8 e 27 de Abril último em N'Djamena, e a 28 de Maio em Addis-Abeba, e para a expedição urgente de ajuda humanitária, "antes que seja muito tarde".
O Presidente Déby, cujo país desempenha um papel de mediador na crise de Darfur, insistiu na necessidade de garantir a segurança em toda a província para que a ajuda chegue o mais rápido possível às populações, e para que estas possam, no final, regressar às suas aldeias.
"É preciso caminhar rapidamente em direcção à paz para pôr termo aos sofrimentos destes infelizes sem tecto, que têm os pés na lama, e que não poderão com certeza cultivar este ano", disse.
Insistiu na necessidade de desarmar as milícias árabes e acantonar os movimentos rebeldes cuja segurança, prometeu, será garantida pela União Africana.

03 Julho 2004 17:50:00




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