Kadafi critica recurso a armas por rebeldes em África

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O líder líbio, Muamar Kadafi, censurou em Abidjan, capital da Côte d'Ivoire, o uso de armas por rebeldes em África para a satisfação das suas exigências, sublinhando que todos os problemas nos países africanos devem ser resolvidos pela luta política, democrática, legal porque há pluralismo e eleições.
"Combatemos a colonização e o racismo, mas nos combatermos entre nós é um coisa inconcebível e totalmente inaceitável.
Podemos ter problemas mas não devemos pegar em armas uns contra os outros", declarou o líder líbio durante um jantar oferecido em sua honra pelo Presidente Laurent Gbagbo quarta-feira à noite.
Afirmou ter-se encontrado com vários dirigentes antagonistas dos conflitos em África, como em Darfur (oeste do Sudão) e a rebelião no Tchad, e que compreendeu as exigências destes rebeldes que dizem que são marginalizados, sublinhando, contudo, que está em deacordo com eles sobre os meios de resolver os seus problemas.
Kadafi acrescentou que os problemas não devem ser resolvidos pela violência senão os combate serão no interior das famílias, das tribos e dos países, sublinhando que as exigências das rebeliões e as suas necessidades deverão ser satisfeitas.
"Não estamos de acordo com eles no tocante ao uso da violência para a satisfação das suas exigências", acrescentou.
O líder líbio precisou que a estrutura política dum país tem deveres para com a unidade nacional e que é seu dever utilizar a força para proteger a unidade do país se uma região ou um grupo no interior do mesmo país revoltar-se, citando como exemplo bombardeamento do Parlamento russo por blindados ordenado pelo antigo Presidente russo, Boris Yelstin, sob os aplausos do Ocidente que pretende a democracia.
Kadafi indicou que existe uma diferença entre a estrutura política escolhida pelo povo e os grupos que se revoltam, precisando que "estamos nesta confusão".
O líder líbio sublinhou a necessidade do não recurso à violência, mesmo no caso de mudança da estrutura política, assinalando que África decidiu através do Acto Constitutivo da União Africana (UA) não reconhecer as mudanças da estrutura política pela força.
Afirmou que a colonização explora actualmente os Africanos numa tentativa de regressar ao continente e envolver-se nos assuntos internos africanos.
O guia líbio indicou que as nossas regiões foram internacionalizadas e que África se tornou praticamente um continente sob protectorado internacional.
Assinalou a presença de forças internacionais no Corno de África, na África Ocidental, Central, nos Grandes Lagos, no Sinai, no Sara, no Sul Sudão e que há intenções de pôr igualmente Darfur e o Sudão sob protectorado internacional.
Afirmou que esta situação se deve aos nossos erros no tratamento dos nossos problemas porque as armas devem ser levantadas contra a colonização estrangeira e não uns contra os outros entre nós.
O líder líbio acrescentou que todas as pessoas rejeitam a guerra civil e os conflitos, precisando que por esta razão os Africanos abandonaram as armas, abraçaram-se e começaram a construir os seus países mão.
Citou o exemplo do Tchad, nomeadamente o caso de Mohamed Nour, ex- rebelde que quer conquistar N'Djamena pelas armas e que se tornou ministro tchadiano da Defesa, defendendo actualmente a capital tchadiana após ter abandonado as armas e se reconciliado com o Presidente Idriss Deby com vista a construção do país.
Disse que África se encontra na encruzilhada dos caminhos nas vésperas da Cimeira da União Africana (UA) em Accra, Gana, sublinhando que este encontro é considerado crucial porque vai decidir o rumo de África "que será ou não será".
Acrescentou ser necessário formar um Governo continental, instaurar um Exército africano único, debater uma moeda africana única, criar um mercado africano único e adopar uma tarifa aduaneira única com o mundo, considerando que sem isto não haverá futuro.
Declarou que a missão da Cimeira de Accra já não é uma tarefa dos Presidentes, mas do povo africano que reclama pela criação dum Governo federal africano, dum Exército único e uma moeda única.
Kadafi exprimiu igualmente a sua satisfação pelo acolhimento que lhe foi reservado em Abidjan pelo Presidente Laurent Gbagbo e pelo primeiro-ministro Guillaume Soro que se reconciliaram depois de serem protagonistas da crise político-militar que teve repercussões negativas na Côte d'Ivoire e decidiram construir o seu país.

29 Junho 2007 12:42:00




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