Kadafi apela à criação dum único Estado africano

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O líder líbio, Muamar Kadafi, apelou em Abidjan para a construção dum único Estado africano forte munido dum Governo e dum Exército únicos com dois milhões de soldados.
Falando durante um comício, quarta-feira à tarde em Abidjan, Kadafi declarou que os líderes africanos que vão reunir-se na próxima semana em Accra, no Gana, deverão escutar a voz das populações africanas que reclamam pela realização do projecto da União africana e executar a decisão das massas populares do continente.
Kadafi passou em revista as etapes históricas do continente, evocando o tráfico de escravos e as suas consequências negativas, a colonização que desorganizou, dividiu e espoliou as sociedades africanas.
"Isto ocorreu, infelizmente, sem resistêcia porque éramos analfabetos, não possuíamos armas nem cultura política", deplorou.
Afirmou que os africanos provaram aos colonizadores, através da resistência, que não são animais nem escravos mas homens livres que, quando adquiriram uma cultura política e armas e quando movimentos de libertação se formaram em África obrigaram os colonizadores a fugir do continente.
Sublinhou que os Africanos engajaram-se, após a independência dos seus países, em não mais deixar o continente nas maõs dos colonizadores e unir os seus países, recordando que Kwame Nkrumah apelou para a unidade africana mas que os colonizadores o vigiaram e conseguiram derrubar os dirigentes revolucionários africanos, permitindo aos seus agentes apoderar-se do poder em vários países do continente.
O líder líbio afirmou que o apelo de Nkrumah foi abortado através do que baptizaram Organização da Unidade Africana (OUA) que durou 40 anos sem realizar uma verdadeira unidade.
Precisou que a ausência desta unidade levou ao aparecimento de conspirações e golpes de Estado, bem como guerras civis e tribais em África, que é na realidade uma única nação composta por mil tribos que têm a sua estrutura social.
De acordo com ele, a colonização dividiu o continente em mais de 50 países através de fronteiras artificiais criadas para permitir ao colonialismo pilhar as riquezas do continente sem contrapartida.
Kadafi disse que as operações de pilhagem dos recursos de África prosseguem dado o atraso e a divisão no continente, indicando que as empresas internacionais de monopólio aproveitaram a situação de guerras civis nalgumas regiões do continente, como na África Ocidental e nos Grandes Lagos, para continuar a pilhagem das minas de diamante e outros minérios e a sua exportação no estrangeiro.
Declarou que estas empresas de monopólio e de exploração desejam o prolongamento desta situação.
O líder líbio apelou ao fim das matanças entre os africanos e a proibir a efusão do sangue africano por um outro africano.
"Somos a única raça negra em terra que foi vítima de matança, de deslocação e de escravidão.
Como é que ainda lutamos entre nós"?, deplorou.
Citou o exemplo da situação na Côte d'Ivoire, um país africano vital no qual conta a África Ocidental, acrescentando que os inimigos do continente decidiram destruir este país tendo em conta a sua importância.
Exortou os jovens ivoirienses a agrupar-se em redor do Presidente Laurent Gbabgbo e do primeiro-ministro Guillaume Soro que realizaram a paz para o seu povo e abortaram a conspiração contra África.
Kadafi interrogou-se sobre a identidade do que se aproveita da situação actual em África e dos sofrimentos amargos vividos pelo continente, sublinhando a necessidade do não regresso da escravidão e da colonização em África e ao fim das guerras entre os filhos do continente e da emigração dos jovens afrianos para a Europa.
"O continente africano dispõe de recursos, matérias-primas, recursos humanos e outras grandes riquezas que lhe permitem ser mais forte do que a Europa e os Estados Unidos de América e que convém preservar", acrescentou.
O líder líbio recordou que se encontrou com actores de mais de 44 países africanos reunidos em Tripoli de 20 a 21 de Junho, com vista a realização dum Governo continental, que publicaram uma Declaração na qual pedem a Cimeira de Accra para realizar este objectivo.
Acrescentou ter-se igualmente encontrado, durante a sua digressão oeste-africana iniciada sexta-feira passada, com as massas femininas em Bamako (Mali), com actores dos povos guineense em Conakry (Guiné conakry), serraleonês em Freetown (Serra Leoa) que publicaram comunicados similares à Declaração de Tripoli.
Kadafi sublinhou que os dirigentes africanos, que vão reunir-se em Accra, devem escutar a voz das massas populares africanas que têm fé no projecto da UA e que pedem a aceleração da criação dum Governo continental na via da realização dos Estados Unidos de África.

29 Junho 2007 11:40:00




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