Jurista cabo-verdiana pessimista quanto a crise na Côte d'Ivoire

Praia- Cabo Verde (PANA) -- A jurista cabo-verdiana Vera Duarte, que integrou uma comissão de inquérito das Nações Unidas que esteve recentemente na Côte d'Ivoire para investigar a repressão a 25 de Março duma marcha da oposição pelas forças da ordem, mostrou-se pessimista quanto a evolução da situação naquele país da África Ocidental.
A repressão da marcha da oposição pelas forças da ordem terá feito entre 120 e 300 mortos.
Vera Cruz, ex-membro da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e antiga juíza do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de Cabo Verde, disse à agência cabo-verdiana de notícias "INFORPRESS" que a Côte d'Ivoire começou uma via de reconciliação que devia culminar com a realização de eleições presidenciais em Outubro de 2005.
"Lamentavelmente, os factos actuais não nos permitem ter esta visão optimista.
Há cada vez mais tensão.
É com muita apreensão que vemos as manifestações se sucederem", indicou.
A jurista cabo-verdiana justifica o seu pessimismo exemplificando as manifestações da juventude do partido no poder contra o acordo de Linas-Marcoussis e a recente exoneração dos ministros da oposição que se recusavam a participar nos trabalhos do Conselho de Ministros.
Referindo-se às conclusões da comissão de inquérito das Nações Unidas, da qual fez parte com a socióloga italiana Franca Sciuto, fundadora da secção italiana da Amnistia Internacional, e o jurista burundês Eugène Nindorera, antigo ministro da Justiça, Vera Duarte confirmou que "houve violações dos direitos humanos".
Ela reconheceu, no entanto, que, tal como referiram no relatório, a manifestação tinha sido proibida e as mediações a nível interno e internacional para a sua suspensão não surtiram efeito.
Por outro lado, Vera Duarte estima que as reclamações dos militantes próximos do poder exigindo a retirada das forças das Nações Unidas da Côte d'Ivoire não se justificam.
"Não pensamos que seja essa a via.
Pelo contrário, pensamos que havendo países onde a situação é frágil em termos de paz e segurança, é desejável a presença de forças das Nações Unidas, da União Africana ou da CEDEAO.
Essa presença deve ser reforçada para que o clima de tensão não se transforme em agressão armada", advogou a jurista.

02 Junho 2004 20:13:00




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