Jornalistas protestam contra impunidade de seus agressores em Dakar

Dakar- Senegal (PANA) -- Uma marcha de protesto contra a impunidade, na sequência de agressões e ameaças de que foram vítimas jornalistas nestes últimos meses no Senegal, decorreu sábado de manhã em Dakar, sob a égide do Comité para a Defesa e Protecção dos Jornalistas (CDPJ).
Centenas de jornalistas da imprensa nacional e estrangeira do Senegal participaram nesta marcha para reclamar pela justiça e lutar contra a impunidade dos seus agressores.
Os protestadores terminaram a sua manifestação ao meio dia perante a sede da Rádio Televisão Nacional (RTS), antes de entregar um memorando ao ministro senegalês da Informação e porta-voz do Governo, Abdou Aziz Sow.
Muitas organizações juntaram-se aos jornalistas, nomeadamente o Encontro Africano para a Defesa dos Direitos Humanos (RADDHO), a Amnestia Internacional (AI), a Intersindical dos Docentes.
A elas associaram-se também certos partidos políticos, tais como o Partido Socialista (PS), o Jef/Jel, o Movimento para a Autonomia Popular, bem como deputados e artistas.
Quanto mais a multidao de jornalistas avançava na sua trajectória mais se juntavam participantes e os apoios vinham de todos os lados e as populações circundantes saíam para manifestar o seu desacordo em relação a uma certa atitude do Governo de querer amordaçar a imprensa.
Nas bandeirolas e cartazes que eles ostentavam se podia ler "O Estado deve proteger-nos", "Não à impunidade", "Não às agressões", entre outras críticas.
De acordo com o porta-voz do CDPJ, Ibrahima Khaliloulah Ndiaye, os colegas de outras regiões do país protestaram igualmente da sua maneira hoje, através de comício, marchas ou porte de bandeirolas negras.
No memorando, o CDPJ critica a "tentativa de ingerência" do poder executivo no poder judiciário estimando "inaceitáveis" as suas declarações segundo as quais os jornalistas são culpados antes mesmo do fim do processo judicial aberto com base nas suas próprias queixas.
O CDPJ exige sanções administrativas exemplares contra culpados já identificados e exige igualmente dos desisores públicos a protecção dos jornalistas no exercíco da sua função, bem como a cessação da campanha de diabolização, intimidação dos jornalistas e de destruição de bens da imprensa.
Esta marcha é a segunda do género organizada pelo Comité para a Defesa e Protecção dos Jornalistas criado a 25 de Junho último na sequência da agressão por polícias de dois jornalistas senegaleses após um jogo Argélia-Senegal em Dakar, pontuável para as eliminatórias combinadas do Campeonato Africano das Nações (CAN) e do Mundial de 2010.

23 Agosto 2008 19:00:00




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