Jornal sul-africano insta Presidente angolano a aposentar-se

Joanesburgo- África do Sul (PANA) -- Numa altura em que o MPLA (partido no poder em Angola) prepara o seu congresso nacional, o jornal privado sul-africano "Sowetan" apelou terça-feira aos líderes regionais a encorajarem o Presidente José Eduardo dos Santos a retirar-se do cargo.
O jornal considera que se por um lado o Presidente angolano teve um bom desempenho no combate aos ex-rebeldes da UNITA, por outro Dos Santos demonstra poucos sinais de que conseguiria dirigir uma economia em tempo de paz.
"O Presidente José Eduardo dos Santos aventou a possibilidade de se reformar.
Esta não seria uma má decisão de todo.
Para além de ter combatido os homens de Jonas Savimbi, ele sofre dum cancro.
A aposentação dar-lhe-ia uma oportunidade para se concentrar na sua saúde", sublinhou o jornal.
"O problema é que poucas pessoas acreditam que ele vá cumprir com a sua promessa de se demitir.
De facto, é uma pena", ressaltou o Sowetan.
O MPLA está a preparar o seu primeiro congresso nacional desde a morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi, em Fevereiro de 2002.
Reagindo ao congresso, o Sowetan refere que nenhuma questão que afecta os angolanos comuns - tais como desenvolvimento, pobreza, doenças e corrupção - estará no topo da agenda da reunião, adiantando que o assunto chave será a eleição dum novo líder para o MPLA.
Para o Sowetan, o regresso da paz em Angola teve pouca influência para facilitar a integração do país na região e a presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) por parte de Luanda foi monótona, enquanto Luanda continua tão distraída e sem empenho nas questões da região como se ainda estivesse em guerra.
"A obsessão com a segurança militar está a tornar muito difícil a transição para paz.
Como se ainda estivesse em combate contra um movimento rebelde obstinado apoiado pelo estrangeiro, o governo continua a gastar cerca de um terço do seu orçamento em despesas com a defesa.
Onde está a ameaça?", interroga-se o jornal.
O Sowetan sublinha que apesar do alcance da paz, os seus dividendos para os angolanos comuns têm sido "dolorosamente" lentos, acrescentando que os estrangeiros continuam a investir apenas nos recursos naturais do país.
"Isto significa que o desenvolvimento está limitado - isto é, ele chega apenas aos que estão próximos das minas", considerou o jornal.

02 Dezembro 2003 19:11:00


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