Jean-Pierre Bemba regressa a Kinshasa após 10 anos de detenção

Kinshasa, RD Congo (PANA) - O antigo Vice-Presidente congolês, Jean-Pierre Bemba, regressou a Kinshasa esta quarta-feira acompanhado da sua esposa e filhos, após mais de 11 anos de ausência por detenção no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, Países Baixos.

De 55 anos de idade, o também senador Jean-Pierre Bemba já manifestou a sua intenção de se candidatar às eleições presidenciais de 23 de dezembro próximo, na República Democrática do Congo (RDC), apelando à oposição para uma candidatura única.

O seu regresso seguiu-se à sua absolvição pelo TPI, que o tinha condenado a 18 anos de prisão por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos pelas suas tropas do Movimento para a Libertação do Congo (MLC), na República Centroafricana (RCA), entre 2002 e 2003.

A condenação de Bemba foi revogada a 8 de junho passado em julgamento de recurso que decretou a sua liberdade provisória até que a jurisdição internacional se pronuncie sobre a sua outra acusação por suborno de testemunhas, crime passível de cinco anos de prisão.

Segundo fontes em Kinshasa, o seu MLC teme que o poder o impeça de se candidatar às presidenciais de 23 de dezembro ao abrigo da lei eleitoral do país que estipula a inelegibilidade  de pessoas condenadas "por corrupção por um julgamento irrevogável".

À sua chegada, Bemba foi acolhido por familiares, adeptos e líderes do MLC, e dirigiu-se à sede do seu partido, em Kinshasa, por instruções da Polícia, que o impediu de aceder à sua residência familiar, situada no bairro de Gombe, que se encontra no perímetro presidencial.

O 8 de agosto corrente é a data limite para a apresentação de candidaturas para as eleições presidenciais, mediante o pagamento de 100 mil dólares americanos, e o MLC designou-o, a 13 de julho, como seu candidato e pretende que ele seja o único a representar a oposição.

O pastor Moïse Katumbi, antigo governador do Katanga, é outro potencial candidato presidencial ausente do país há cerca de dois anos e a braços com a Justiça congolesa, que o acusa de "usurpação de nacionalidade congolesa".

Em virtude dessa acusação, as autoridades congolesas não reconhecem o seu passaporte, mas ele pediu autorização para aterrar no aeroporto de Lumumbashi, esta sexta-feira.

Enquanto isso, o Presidente cessante, Joseph Kabila, que esgotou os seus dois mandatos autorizados pela Constituição, ainda não se pronunciou se vai candidatar-se ou não, expondo-se a uma forte pressão internacional para clarificar a sua posição.

Nesta quinta-feira, ele iniciou uma visita oficial de 48 horas a Angola onde manteve um encontro com o seu homólogo angolano, João Lourenço, que preside atualmente ao orgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), bloco regional do qual Angola e RDC são países-membros.

À semelhança de vários outros líderes africanos, o Presidente João Lourenço tem aconselhado Joseph Kabila a abandonar o poder e cumprir escrupulosamente o Acordo de São Silvestre de 2016 que determinava a realização de eleições gerais em dezembro de 2017.

Jean-Pierre Bemba nasceu em 4 de novembro de 1962 e foi um dos quatro Vice-Presidentes do Governo de Transição da RDC, de 17 de julho de 2003 a dezembro de 2006.

De seu nome completo Jean-Pierre Bemba Gombo, é o fundador e atual líder do MLC, um grupo rebelde que se tornou em partido político pelo qual ele disputou as eleições presidenciais de  2006 que perdeu para Joseph Kabila, na segunda volta.

Foi eleito para o Senado, em janeiro de 2007, antes de ser preso na Bélgica, em 24 de maio de 2008, com base num mandado de captura emitido pelo TPI.

-0- PANA 02agosto2018

02 Agosto 2018 18:18:44


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