HRW condena ineficácia da comunidade internacional em Darfur

Dakar- Senegal (PANA) -- O director executivo da HRW (ONG de Defesa dos Direitos Humanos), Kenneth Roth, declarou que a comunidade internacional não fez grande coisa para poupar às populações de Darfur (oeste sudanês) a mais grave catástrofe humanitária deste ano, soube a PANA de fonte oficial.
"Com o governo sudanês e as suas milícias étnicas, os Djandjawids, a prosseguirem a campanha mortífera, violações, saques e deslocações forçadas, apesar de várias resoluções do Conselho de Segurança (CS) da ONU sobre a crise em Darfur, os governos do mundo já não podem pretender ignorar o que se passa", indicou Kenneth Roth.
"Como dezenas de milhares de civis morreram e 1,6 milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, Darfur é claramente um problema intrernacional", ressaltou, denunciando a falta de "reacções significativas" da comunidade internacional.
Numa mensagem publicada durante a comemoração do Dia Internacional dos direitos humanos, o director executivo da HRW salientou que a comunidade internacional passou da "ignorância para a preocupação e uma acção aparente, e nada mais".
Como esta catástrofe ocorreu uma década após o genocídio ruandês, o director da HRW, sediada em Nova Iorque (Estados Unidos), declarou que "esta fraca reacção desmente as nossas promessas de nunca deixarmos acontecer este tipo de coisas".
Roth deu a conhecer ainda que "face aos crimes contra a humanidade cometidos por Cartum, nenhuma pressão séria foi exercida sobre o governo sudanês para pôr fim a esta campanha mortífera".
Não basta condenar estas atrocidades, alimentar as vítimas e enviar um punho de tropas mal equipadas à Uniao Africana para, depois, se reduzirem a observar massacres e a continuação da limpeza étnica", prosseguiu.
É preciso "enviar uma verdadeira força internacional digna deste nome para proteger os civis" e tomar medidas para "perseguir os mentores destes massacres", sustentou.
Nenhum governo, indigou-se, assumiu esta responsabilidade de proteger as populações de Darfur dum massacre em grande escala.
Para Kenneth Roth, os 3500 soldados das forças da UA enviadas a Darfur - uma região do tamanho da França que quase não dispõe de estradas nem de infra-estruturas - devem ser reforçadas de maneira significativa.
Por outro lado, preconizou Kennet Roth, a Comissão de Inquérito, criado pelo CS da ONU, deverá, em Janeiro, levar a situação de Darfur perante o Tribunal Penal Internacional (TPI).
"Durante o Dia dos direitos humanos, devemos lembrar-nos de que a tragédia em Darfur é sobretudo uma crise dos direitos humanos.
Só a acbará se a comunidade internacional disponibilizar os recursos militares e jurídicos para proteger as populações de Darfur das depredações de Cartum", concluiu o director executivo da HRW.

12 Dezembro 2004 15:21:00




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