Grupo da diáspora mauritana acusa ACNUR de chantagem

Nouakchott- Mauritânia (PANA) -- As Forças de Libertação Africana da Mauritânia (FLAM), um movimento da diáspora mauritana, acusam, numa declaração transmitida sábado à PANA, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) de "chantagem e pressões de todas as formas" sobre os refugiados mauritanos residentes no Senegal "para lhes obrigar a um repatriamento em condições inaceitáveis".
Fazendo o balanço da primeira operação de repatriamento realizada a 29 de Janeiro último, as FLAM "denuciam com veemência a improvisação e a precipitação que caracterizaram a sua organização, sacrificando a eficácia e a responsabilidade ao simbolismo".
Defendendo a organização do regresso dos refugiados "em condições dignas", o movimento recomenda o envolvimento "dos representantes legítimos dos refugiados" para o resto das operações de repatriamento.
A declaração das FLAM considera, por outro lado, que a resolução da questão dos refugiados e do passivo humanitário "é uma condição indispensável para um apaziguamento do clima social na Mauritânia".
No total, 101 refugiados mauritanos repatriados do Senegal a 29 de Janeiro de 2008 foram reinstalados em quatro zonas na localidade de Rosso (200 quilómetros a sul de Nouakchott).
Um segundo contingente de 26 famílias, composto por cerca de 200 indivíduos, é esperado em Brakna (uma outra localidade do rio Senegal) nas próximas semanas.
Cerca de 75 mil mauritanos negros foram expulsos do país entre 1989 e 1990, após violências inter-étnicas entre a sua comunidade e a dos mouros (de origem berbere), tendo se refugiado nos vizinhos Senegal e Mali.
Segundo o ACNUR, cerca de 24 mil refugiados vivem ainda no Senegal e 600 mil outros no Mali.
Mas, várias associações mauritanas de apoio aos refugiados refutam estes dados da agência onusina, alegando a existência dum número superior.

23 Fevereiro 2008 19:52:00


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