Grupo cabo-verdiano "Simentera" apresenta obra "Tr'adicional»"

Praia- Cabo Verde (PANA) -- O grupo musical cabo-verdiano "Simentera" apresentou à imprensa, na noite de terça-feira, o seu mais recente trabalho discográfico, intitulado "Tr'adicional", soube-se de fonte bem informada na capital cabo-verdiana.
Este quarto álbum do "Simentera" foi gravado em Paris, entre Julho e Outubro do ano passado, e conta com a participação de músicos de craveira internacional, como os africanos Manu Dibango, Moussá Cissokho e Touré Kunda, a cantora e o pianista portugueses, Maria João e Mário Laginha, e o brasileiro Paulinho da Viola.
A nota de apresentação do disco, facultada aos jornalistas, começa por explicar o significado do título "Tr'adicional": em crioulo, a língua nacional de Cabo Verde, "Tra", significa Tirar, substituir; e "Adicional" significa juntar, pôr.
"Mas Tradicional, para nós, significa identidade", sublinha-se.
De acordo a nota, quando, em 1992, "Simentera" lançou o que a imprensa então chamou de a "nova música de Cabo Verde", os seus elementos previam para uma década mais tarde a gravação de um disco que seria "a suma concretização deuma tese".
Dez anos passados, eis referido disco "Tr'adicional", "um projecto para mostrar aquilo que a história nos acrescentou", precisa-se.
Este disco, segundo a explicação, procura dar resposta aos vários contributos que a música cabo-verdiana "mestiça", tal como o povo da ilhas, recebeu de várias partes do mundo desde o povoamento das ilhas.
Foi por isso que o grupo saiu á recolha desses traços, tendo "a África respondido pelo som de Manu de Bango, pela voz de Touré Kunda, pelo tam-tam de Moussa Cissokho; a Europa, Portugal precisamente, veio pela voz de Maria João e pelo piano de Mário Laginha; da América, o Brasil soou pela garganta do Paulino da Viola".
Sublinha-se assim que neste trabalho "ouve-se Cabo Verde na sua universalidade e particularidade", uma vez que neste disco estão todos os sons do arquipélago, "do mais africano ao mais europeu, do mais antigo ao mais moderno: o batuco, a tabanka, o funaná, a morna mais antiga com traços de blues, a coladeira-samba, a valsa andina com a polonesa, a canção de ninar das ilhas".
Após a apresentação exclusiva para a imprensa na capital, seguir- se-á o lançamento oficial para o grande público, marcado para o Hotel Morabeza, na vila de Santa Maria, na Ilha do Sal, no próximo sábado dia 18 de Janeiro.
O disco será igualmente lançado nas restantes ilhas e no estrangeiro.
De recordar que grupo musical "Simentera" foi fundado em 1992 por músicos cabo-verdianos de renome, que se reuniram com o objectivo de "salvaguardar a riqueza e a beleza dos vários géneros musicais tradicionais do arquipélago que corriam o risco de cair no esquecimento".
No dizer da jornalista franco-alemã Anne Sasson, desde o primeiro concerto, "Simentera" assumiu o caminho da inovação: composições abertas ao mundo, arranjos arrojadamente modernos, e uma instrumentalização exclusivamente acústica dera à música cabo- verdiana um sopro de frescura.
Para a generalidade dos críticos, "Simentera", efectivamente, depois de várias anos de digressões internacionais e três álbuns a solo, "conseguiu revolucionar a estética da música de Cabo Verde, uma vez que o grupo conseguiu gerar uma música que "dá voz á terra, ao mar, ao vento, uma música cintilante dessa lua misteriosa que anuncia a chuva, uma música à imagem desse país pequeno que não pára de crescer".
Este ano, o grupo "Simentera", para além do lançamento do novo disco na Europa, previsto para o próximo mês de Europa, irá participar no mês de Junho no festival de música "Métisse d'Angoulême", em França.
No mês seguinte, o grupo tem previsto a participação em festivais na Alemanha e em Portugal.

15 Janeiro 2003 15:55:00


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