Governo sudanês acusado de violações de direitos humanos em Darfur

Nova Iorque- Estados Unidos (PANA) -- Uma missão dos direitos humanos das Nações Unidas criticou o Governo sudanês por ter perpetrado e participado nos crimes de guerra na província de Darfur (oeste do Sudão), de acordo com um relatório submetido segunda-feira ao Conselho dos Direitos Humanos em Genebra (Suíça).
"A situação em Darfur é caracterizada por violações flagrantes e sistemáticas dos direitos humanos e infracções graves do direito humanitário internacional", indica o relatório de 35 páginas da missão onusina cuja cópia foi entregue à PANA em Nova Iorque.
"A missão conclui, além disso, que o Governo do Sudão fracassou manifestamente na sua missão de protecção da população de Darfur contra os crimes internacionais à grande escala e orquestrou e participou nestes crimes", indica o relatório.
Preconizou, por conseguinte, uma acção internacional urgente para proteger os civis em Darfur, instando o Conselho de Segurança da ONU a tomar "medidas emergentes" para proteger a população civil, incluindo o envio de capacetes azuis.
O Governo sudanês rejeitou a sua responsabilidade por estes abusos que atribuiu aos grupos rebeldes que se haviam recusado a assinar o acordo de paz de 2006.
A missão da ONU, liderada pelo vencedor do Prémio Nobel da Paz Jody Williams, foi enviada pelo Conselho dos Direitos Humanos para investigar sobre as acusações de abusos generalizados em Darfur.
A equipa de cinco membros da ONU deslocou-se depois ao vizinho Tchad, onde vários refugiados fugiram e o conflito se alastrou.
No local, recolheram testemunhos que confirmam acusações de exacções graves cometidas em Darfur como violações sexuais colectivas, raptos e expulsão das pessoas das suas casas.
Os observadores declararam que mais de 200 mil pessoas foram mortas e cerca de dois milhões foram deslocadas desde o desencadeamento da revolta em 2003.
Por outro lado, O Tribunal Penal Internacional (TPI) sediado em Haia (Holanda) citou a comparecer um vice-ministro do Governo sudanês e um líder duma milícia de Darfur para responder por acusações de crimes de guerra.
Trata-se da primeira medida tomada para julgar as pessoas tidas como responsáveis pelas atrocidades em Darfur, como a violação colectiva e o assassinato de civis nesta província assolada pela guerra.

13 Março 2007 12:53:00




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