Governo moçambicano satisfeito com agricultores zimbabweanos

Maputo- Moçambique (PANA) -- O Governo moçambicano considera positivo o balanço do primeiro ano de implantaçao de agricultores zimbabweanos no território nacional e nega que os mesmos estejam a atiçar o conflito de terras no país, soube a PANA de fonte segura.
Numa recente visita efectuada a sete explorações de fazendeiros brancos zimbabweanos, o Governador da província moçambicana de Manica, Soares Nhaca, louvou o papel dos agricultores que disse ser fundamental para o desenvolvimento da agricultura comercial do país.
Adiantou que era notável o desenvolvimento agrícola naquela região, que acolhe 50 agricultores brancos e exortou-os a praticarem também culturas alimentares, sobretudo cereais e leguminosas, para satisfazer as necessidades dos consumidores locais.
Cerca de 500 fazendeiros zimbabweanos estão a trabalhar na provincia Manica (centro), que faz fronteira com o Zimbabwe, depois de terem abandonado aquele país na sequência do polémico programa de reformas agrárias do governo de Harare.
Entretanto, líderes da oposição moçambicana criticaram recentemente a vinda destes agricultores, com o argumento de estarem a retirar as terras aráveis aos camponeses nacionais.
Reagindo a estas críticas, o Ministro moçambicano da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Hélder Muteia, disse não se ter registado até ao momento nenhum conflito de terra envolvendo agricultores zimbabweanos e camponeses locais.
Muteia explicou que antes de se atribuir qualquer parcela, as autoridades consultaram as comunidades locais para se saber se a terra está ou não ocupada.
"O fundamental é que é necessário melhorar as condições económicas do país e o trabalho dos agricultores do Zimbabwe vai ser uma contribuição para o desenvolvimento da agricultura em Moçambique", afirmou.
A decisão de instalar no país fazendeiros zimbabweanos insere- se nos esforços do governo moçambicano para relançar a agricultura comercial no país, após vários anos de insucesso por diversos motivos.
No período de transição imediatamente após a independência de Moçambique, em 1975, o declínio das culturas de rendimento foi causado sobretudo pela saída em massa da maioria dos colonos portugueses e de grandes segmentos da população indiana que dominavam a economia nacional.
As políticas adoptadas pelo governo até finais dos anos 80, bem como a queda dos preços de algumas culturas de rendimento também contribuíram para o fraco desempenho, piorando os termos de troca rural.
Mas foi, acima de tudo, o recrudescimento do conflito armado depois de 1982 que afectou, significativamente, todo o sector de produçao de culturas de rendimento em Moçambique.
A privatização e introdução de novas tecnologias e capitais fez ressurgir na década de 90 a produção das pricipais culturas como o açúcar, cajú, chá e algodão.
No sector açucareiro, onde se registaram investimentos sul- africanos e maurícios, vai se assistir a um aumento na produção deste ano para 214 mil toneladas de açúcar contra cerca de 170 mil em 2002.
A experiência, até agora positiva, dos agricultores zimbabweanos em Moçambique está a suscitar interesse de fazendeiros sul-africanos, tendo cerca de duas dezenas deles manifestado já as autoridades moçambicanas o seu desejo de investirem no país.

05 Março 2003 18:56:00


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