Governo ivoiriense retira lixos tóxicos despejados em Abidjan

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O Governo ivoiriense vai proceder, a partir de domingo próximo, à retirada dos resíduos tóxicos que continuam a fazer várias vítimas no seio da população de Abidjan, soube a PANA de fonte oficial.
Numa mensagem transmitida quinta-feira à noite pela Televisão Nacional, o primeiro-ministro ivoiriense, Charles Konan-Banny, precisou que esta retirada foi possível graças a um acordo assinado (no mesmo dia) com a sociedade Trédi, proveninente do grupo francês Séché, especializada em tratamento e armazenamento de lixos.
"A partir de domingo, esta empresa iniciará a retirada dos resíduos tóxicos e a despoluição das zonas afectadas", declarou Banny, acrescentando que o solo será tratado "à medida que for progredindo a retirada" dos resíduos a fim de restituir a sua integridade, eliminando qualquer vestígio de poluição.
Congratulando-se com o relatório dos peritos franceses e com o facto de a cidade de Abidjan estar "brevemente livre destes produtos perigosos", o chefe do Governo ivoiriense garantiu que "a água potável não está contaminada".
"O lençol fréatico não está afectado, o produto incrimidado não é tão perigoso como ouvi aqui e acolá.
Não é radioactivo", repetiu várias vezes o ex- governador do Banco Central da África Ocidental (BCEAO).
A amplitude da situação e a crise humanitária que se desenvolve por causa destes resíduos tóxicos, cujos contornos estão dificilmente controláveis, tinham provocado a demissão do Governo de Banny.
O primeiro-ministro reafirmou a gratuidade da assistência médica às vítimas desta catástrofe e sublinhou que medidas preventivas foram tomadas para "proteger a cadeia alimentar em aplicação do princípio de precaução".
Trata-se, entre outras medidas, da proibição de pesca na baía lagunar e nos viveiros piscícolas, destruição com compensação das culturas hortícolas perto dos sítios poluídos, observação do gado aviário, bovino e porcino, assim como interdição de colheita de pastos destinados ao gado e encerramento de várias zonas industriais, incluindo o matadouro de Abobo (ao nordeste de Abidjan).
A título de sanções, o primeiro-ministro ivoiriense confirmou a suspensão dos directores-gerais das Alfândegas e do Porto Autónomo de Abidjan, do governador do distrito de Abidjan e do ex-director dos Assuntos Marítimos, que acusaram "falhas administrativas" na gestão destes resíduos toxícos.
Até agora, sete pessoas, das quais vários bebés, morreram e mais de 13 mil outras foram recebidas, para consultas médicas, em mais de 36 centros de saúde identificados para acolher os doentes intoxicados por estas matérias prejudiciais à saúde.

16 Setembro 2006 17:00:00


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