Governo africano e financiamento complementar adiados

Sirtes- Líbia (PANA) -- A quinta cimeira da União Africana (UA) decidiu segunda-feira, no termo da sua primeira jornada de trabalhos, submeter a estudos aprofundados a ideia de um governo continental tal como proposto pelo coronel Muamar Kadafi da Líbia.
A cimeira, igualmente informada das propostas do Presidente Abdoulaye Wade do Senegal para o financiamento da UA pela instituição de impostos sobre importações ou prémios de seguros, considerou também necessários estudos mais amplos que tomem em consideração todas as implicações de um tal mecanismo para poder pronunciar-se em perfeito conhecimento de causa.
A cimeira de Sirtes aprovou em contrapartida, com uma ligeira modificação, a declaração e o projecto de resolução que define a posição africana sobre a reforma do sistema das Nações Unidas.
A modificação da autoria da delegação zimbabweana impõe a necessidade de África priorizar a sua posição definida em Harare e reclama pela supressão pura e simples do direito ao veto.
O Zimbabwe pediu que fosse por conseguinte mencionado na declaração de princípio que África reclama por este direito ao veto apenas pela necessidade da igualdade com os países que o ostentam até à decisão sobre a sua supressão definitiva.
A PANA soube que as discussões em redor destas questões ocuparam os participantes na cimeira durante todas as sessões à porta fechada na segunda-feira.
Se o consenso laboriosamente conseguido ao nível do Comité Executivo sobre as exigências africanas, na perspectiva das reformas da ONU, não foi posto em causa, o mesmo não aconteceu com o passo suplementar que o coronel Kadafi procura praticamente desde a cimeira de Addis Abeba, há um ano, que seja dado pela União Africana.
Esta iniciativa, objecto de um recente colóquio (presidencial) em Kampala, no Uganda, estará confrontada com uma forte oposição da África do Sul cujo Presidente Thabo Mbeki confessou à porta fechada não ter realmente compreendido o seu verdadeiro sentido.
Tal como concebido ao seu nascimento, a Comissão da União Africana, o seu presidente e os seus 10 comissários desempenham, deverão desempenhar ou ainda estão completamente aptos para desempenhar, se necessário, este papel de governo continental, verdadeiro embrião de um Executivo africano, frisou Mbeki.
Segundo ele, é curial fazer com que estes órgãos exerçam tal função ao invés de criar novas estruturas que a UA confrontada com dificuldades financeiras teria depois dificuldades para garantir a sua continuidade.

05 Julho 2005 11:37:00




xhtml CSS