Golpe de Estado militar ocupa primeira página da imprensa mauritana

Nouakchott- Mauritânia (PANA) -- A imprensa mauritana consagrou todas as suas edições de quinta-feira última ao derrube, um dia antes, do Presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, eleito democraticamente em finais de Março de 2007, por uma junta dirigida pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz, ex-chefe de Estado-Maior particular do deposto chefe do Estado.
O diário Biladi publica em grande carácter o título "Da crise política ao golpe de Estado militar : a democracia submetida à provação".
O jornal, que relata "alguns apoios tímidos" aos golpistas, marcados por manifestações nas ruas de Nouakchott, indica que tudo deixa pensar que a página Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, como a de todos os líderes que tiveram o mesmo rumo que ele, foi definitivamente virada.
O Biladi concluiu de que ao instar os "novos senhores" do país a libertarem rapidamente os principais responsáveis do ex-regime detidos para apaziguar o jogo.
Do seu lado, o Le Quotidien de Nouakchott interroga-se se a Mauritânia não vai mergulhar-se de novo no totalitarismo, frisando que o golpe de Estado foi largamente criticado no plano internacional.
O Nouakchott-Info, por seu turno, escreve que "Os generais retomam o poder", exprimindo assim o receio de ver o povo mauritano pagar um pesado tributo na sequência do "movimento de 6 de Agosto de 2008" (alusivo ao golpe de Estado ocorrido nesta data).
Nos órgãos da imprensa pública, o discurso é radicalmente diferente.
Por exemplo, o diário governamental Horizon insiste nas promessas da junta relativas à organização das eleições presidenciais "livres e transparentes nos prazos mais breves".
O mesmo órgão de comunicação fala na "satisfação" dos partidos políticos e na "adesão ao movimento da mudança".

09 Agosto 2008 14:13:00


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