Golpe de Estado em Bangui é "um golpe duro" para o MLC

Kinshasa- RD Congo (PANA) -- O golpe de Estado ocorrido domingo último na R.
Centro-Africana (RCA) modifica a atmosfera regional e constituí "um duro golpe " para os rebeldes congoleses do Movimento de libertação do Congo (MLC) de Jean-Pierre Bemba, publicou recentemente o diário belga "La Libre Belgique".
Na sua edição de terça-feira última, o jornal nota que o MLC "está isolado na grande floresta equatorial" e que a RCA é a sua principal via de abastecimento.
Razão pela qual, prossegue o "La Libre Belgique", interveio por duas vezes para apoiar o presidente Ange-Félix Patassé, destituido através do golpe de Estado ocorrido domingo último.
É pouco provável que o general François Bozizé não procure vingar-se dos rebeldes do MLC que o impediam num passado recente de tomar o poder na RCA, analisa o diário belga.
"Salvo uma surpresa.
Tudo é possível neste canto do mundo onde tudo negocia-se.
Mas tem que se ter alguma coisa para propor.
Mas Bemba vai pôr o quê na mesa ?", interrogou-se o jornal.
Por outro lado, o "La Libre Belgique" afirma que se "é condenado por unanimidade no exteiror", o golpe de Estado do general Bozizé é "popular" em Bangui, a capital centroafricana, porque os rebeldes foram mesmo aplaudidos pelos habitantes da capital que vêem neles "o fim do regime incapaz, corrupto, de nepotismo, durante o qual a sua miséria aumentava".
O diário de Bruxelas observou que "ainda não existe em África um sistema através do qual um regime eleito, que cria fama e deita- se na cama e que se agarra ao poder nas eleiçoes seguintes, possa ser substituído sem violência".
Para muitos Africanos, prossegue o diário, "a condenação automática" pela comunidade internacional dos golpes de Estado contra "dirigentes indignos, por serem eleitos, constituí um recuo e contribuí para perpetuar a sua miséria".
Não é de admirar, por conseguinte, se forem muitos a preferirem um déspota esclarecido à democracia, concluiu o jornal belga.

20 Março 2003 20:08:00


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