Fundação Kadafi insurge-se contra ministro italiano

Tripoli- Líbia (PANA) -- A Fundação Kadafi para o Desenvolvimento condenou vigorosamente as declarações do ministro italiano das Reformas Constitucionais, Roberto Calderoli, apelando "ao uso da força contra os muçulmanos e à intervenção do Papa Bento XVI para organizar novas cruzadas contra os muçulmanos".
Num comunicado, a ONG, dirigida por um dos filhos do líder líbio Muamar Kadafi, considerou que as declarações do ministro italiano "encarnam uma posição que merece a denúncia e a condenação do mundo inteiro visto que elas emanam dum espírito cruzado odioso que não soube assimilar as lições da história que nos ensinou que não há mais lugar para guerras e confrontações entre os humanos nem entre crentes de diversas religiões do mundo".
"As relações humanas devem ser baseadas no respeito, na compreensão e na coexistência pacífica para a edificação da civilização humana universal", sublinhou a fundação.
"A provocação de conflitos, a utilização da força ou a ameaça do seu uso não podem emanar dum espírito sábio.
Elas demonstram loucura, ódio e vontade de destruição que prejudicará em primeiro lugar os seus autores", acrescenta a ONG, afirmando que ela "rejeita essa lógica e essas incitações".
A Fundação Kadhafi para o Desenvolvimento apelou a todas as organizações e instituições internacionais para adoptar uma posição adequada face às declarações do ministro italiano.
Ela convidou também o governo italiano para as "condenar, pedir contas ao seu autor e levá-lo a tribunal".
A ONG líbia enviou um apelo particular ao Papa Bento XVI para que "adopte uma posição histórica, sobretudo, porque as relações entre o Islão e o Cristianismo conheceram um grande desenvolvimento resultante dum diálogo comum e duma compreensão mútua depois de séculos de contradições e confrontos, dos quais os piores episódios foram as guerras perpetradas pelos Francos contra os Árabes e qualificadas erradamente por cruzadas".
A fundação, segundo o comunicado, está convencida de que o Papa rejeitará e condenará as declarações do ministro italiano que age não apenas para "nos lembrar essas guerras, mas também para apelar ao Papa para as retomar".

13 février 2006 08:00:00




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