Francofonia económica, um desafio para membros da OIF

Ouagadougou- Burkina Faso (PANA) -- A organização Internacional da Franconfonia (OIF), fervoroso defensor da diversidade cultural e linguítica, é todavia um espaço económico indigente.
Três quartos dos Estados membros estão confrontados com o peso da dívida externa.
O baixo crescimento económico da maioria dos seus Estados membros, se persistir, comprometerá de maneira perigosa a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).
É por isso que a X cimeira da Franconfonia, aberta sexta-feira em Ouagadougou e consagrada ao desenvolvimento sustentável, é uma ocasião para a organização explorar as vias e meios de ultrapassar o desafio económico que, até ao momento, lhe faz falta.
Apenas cinco países dos 51 que formam a OIF são membros da prestigiada Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
Trata-se da França, Canadá, Suíça, Luxemburgo e Bélgica que constituem por si só cerca de 80 por cento das riquezas da organização.
Quase a totalidade dos habitantes do espaço francófono, estimados em 500 milhões de pessoas, vivem com menos de dois dólares por dia.
O Burkina Faso, Burundi, Níger, Mali, Guiné Equatorial, Togo e Cabo Verde ocupam as últimas posições da classificação mundial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A disparidade das contribuições para o orçamento da Agência Intergovernamental da Francofonia (AIF) ilustra bem a situação de muitos países membros.
De facto, 19 país prevêem dar uma contribuição de 42.
025.
46 euros, ao passo que 22 dois outros pretendem dar 56.
033.
46 euros.
Contudo, a França continua a ser, de longe, o maior contribuinte com 11.
477.
064.
75 euros para o orçamento 2005, estimado em 28.
534.
057.
278 euros.
Tudo é prioritário nestes países onde a taxa de escolarização está aquém dos 50 por cento com meios de comunicação inexistentes e uma cobertura sanitária muito baixa.
A taxa de propagação do HIV/Sida é das mais preocupantes.
O paludismo, a cólera, a tuberculose e a poliomielite continuam a assolar estes países.
A luta contra estes flagelos necessita dum financiamento considerável que estes países não têm.
Como se não bastasse, cerca de 15 países membros da OIF atravessam graves crises sócio-políticas.
A democracia, a boa governação, o credo da organização continuam a ser uma perspectiva de espírito.
Todas estas dificuldades minam a vontade de construção dum espaço económico francófono próspero e solidário.
A Côte d'Ivoire, locomotiva da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) - que agrupa seis países francófonos - com um crescimento económico nulo em 2004, baixou de quatro para três pontos o crescimento económico da região.
Os países da África Central e dos Grandes Lagos constituem o grosso lote de países francófonos onde conflitos armados comprometem, desde há dezenas de anos, o desenvolvimento da região francófona mais rica, do ponto de vista do seu subsolo.
Sexta-feira e sábado em Ouagadougou, os dirigentes do mundo francófono pretendem elaborar um roteiro, o plano decenal de desenvolvimento sustentável.
Tratar-se-á para eles de imaginar verdadeiros projectos e programas de desenvolvimento.
A criação da microfinança, o financiamento da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) e o mecanismo de financiamento do Fundo Mundial de Solidariedade (FMS) constituirão as preocupações dos chefes de Estado francófonos.
Através deste documento-quadro, a Francofonia dos dez próximos anos deverá estar decididamente virada para a luta contra a pobreza.
Os Estados deverão jogar francamente a carta da solidariedade que a Organização Internacional da Francofonia recomenda às instâncias mundiais.

26 Novembro 2004 15:37:00




xhtml CSS