Francofonia convidada a apoiar produtores africanos de algodão

Antananarivo- Madagáscar (PANA) -- O ministro burkinabe dos Negócios Estrangeiros, Youssouf Ouédraogo, apelou terça-feira em Antananarivo à Francofonia para apoiar os países africanos produtores de algodão durante as negociações previstas para 14 a 17 de Dezembro próximo em Hong Kong pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Falando na abertura da Conferência Ministerial da Francofonia (CMF) de que assume a Presidência, Ouédraogo declarou que o apoio da Organização Internacional da Francofonia (OIF) aos algodoeiros africanos será a prova da "eficácia e da unidade da sua acção".
"Brevemente, vão iniciar-se em Hong Kong negociações cruciais para a sobrevivência do sistema comercial multilateral saído do Tratado de Marraquexe que cria a OMC.
Para nós, trata-se de um encontro essencial", estimou, lembrando a importância do algodão para o Benin, o Burkina Faso, o Mali e o Tchad.
Segundo ele, estas negociações são essenciais para os países africanos envolvidos há longos anos num combate sem igual contra a miséria e a pobreza.
"Ganhar este combate é mostrar ao mundo que a fatalidade não é uma resposta francófona, não é uma resposta aos gritos de angústia que se multiplicam por todos os lados, às vezes com violência", insistiu o chefe da diplomacia burkinabe.
Além disso, revelou que o apoio aos países produtores africanos de algodão não tem outra preocupação senão a de criar as condições para um comércio mundial "mais equitativo e mais apto para garantir o bem-estar às populações beninenses, tchadianas, burkinabes e malianas".
Trata-se de abrir as perspectivas de um melhor futuro "às nossas crianças, aos nossos jovens, confrontados com o desespero e que procuram, por todos os meios, fugir do ciclo infernal da pobreza", prosseguiu Ouédraogo que admitiu que o desafio a enfrentar em Hong Kong "não será simples".
"Sei que juntos, poderemos fazer cair os muros dos egoísmos nacionais e fazer emergir, no seio da nossa comunidade, as pedras que servirão para construir um mundo mais justo, um mundo mais aberto, um mundo mais solidário", acrescentou Youssouf Ouédraogo.
No entender de Ouédrago, a Francofonia deu suficientes "provas irrefutáveis da sua coesão, da sua visão lúcida e da sua eficácia", tendo a mais recente sido manifestada durante o processo de elaboração, de negociação e de adopção pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) da Convenção sobre a Diversidade Cultural", acrescentou.
Embora seja de uma qualidade nitidamente melhor que o de outras regiões do mundo, o algodão africano não é comercializado ao seu justo preço no mercado internacional.
As subvenções agrícolas concedidas pelos Estados do Norte aos seus produtores falseiam o curso no mercado mundial, causando défices importantes no sector algodoeiro em África.
Há vários anos, os quatro países produtores do algodão da África ao sul do Sara não cessam de reclamar pelo fim das subvenções agrícolas para permitir uma justa remuneração das matérias-primas agrícolas africanas.
A questão será novamente debatida durante as negociações comerciais de Hong Kong nas quais participarão cerca de 140 Estados membros da OMC.

23 Novembro 2005 22:06:00




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