Forças vivas desaprovam autossuspensão da Junta guineense do diálogo

Conakry- Guiné-Conakry (PANA) -- O vice-presidente da União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG, oposição), Amadou Boury Bah, exprimiu quarta-feira a sua surpresa pelo anúncio, na véspera, da suspensão da participação da Junta nas negociações interguineenses mediadas pelo Presidente Blaise Compaoré do Burkina Faso.
Esta suspensão foi anunciada terça-feira à noite pelo coronel Moussa Kéïta, secretário permanente do Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento (CNDD, Junta).
O coronel Kéïta, que lidera a delegação do CNDD às negociações da capital burkinabe, Ougadougou, sobre a crise sociopolítica conakry- guineense, declarou na Televisão nacional que a saúde do Presidente Moussa Dadis Camara, ferido a tiro na cabeça a 3 de Dezembro último pelo seu ajudante de campo, Aboubacar "Toumba" Diakité, era primordial.
"Esperamos pelo regresso do Presidente Dadis em boa saúde antes de nos engajarmos a participar no resto das negociações iniciadas em Novembro último em Ouagadougou, onde Compaoré sugeriu, entre outros, um plano de saída da crise, autorizando o líder da Junta a candidatar-se às eleições presidenciais, mas a demitir-se quatro meses antes do escrutínio", acrescentou.
Esta sugestão provocou contestações no seio do fórum das forças vivas que propôs como condições a qualquer diálogo a partida do CNDD e do seu líder.
O vice-presidente da UFDG sublinha que não consegue entender como uma das partes pode decidir unilateralmente suspender a sua participação nas negociações iniciadas sob a égide da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Esta última mandatou Compaoré para tentar encontrar uma solução ao diferendo, nascido do massacre de 28 de Setembro último, no Estádio de Conakry onde, segundo as Nações Unidas, as forças da ordem mataram 150 pessoas e feriram mil 200 outras.
"É uma situação inédita e nós apelamos à comunidade internacional para reflectir sobre a decisão do CNDD de suspender a sua participação nas negociações", concluiu o vice-presidente da UFDG.

09 Dezembro 2009 22:02:00




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