Forças armadas de Cabo verde assinalam 36º aniversário

Praia- Cabo Verde (PANA) -- As Forças Armadas Cabo-verdianas (FAC) comemoraram quarta-feira o 36º aniversário da sua fundação, num momento em que a reforma da instituição militar no arquipélago está na ordem do dia, constatou a PANA na cidade da Praia.
Em declarações ao jornal da manhã da Rádio de Cabo Verde (RCV), o ministro cabo-verdiano dos Assuntos Parlamentares e da Defesa, Armindo Maurício, manifestou a disponibilidade do Governo alargar o debate sobre o futuro das FAC à toda sociedade, de modo que as medidas que vierem a ser tomadas sobre esta matéria reúnam o maior consenso possível.
Em resposta a algumas vozes, que consideram que um país pequeno e pobre como Cabo Verde, não tem necessidade de um estrutura militar como a actual, Armindo Maurício reiterou que as FAC constituem uma peça fundamental para a defesa e segurança interna e externa do país.
O governante realçou o papel desempenhado pelas FAC na vigilância da expensa zona económica exclusiva de Cabo Verde e a sua participação em várias outras actividades de segurança e ordem interna, em colaboração com as outras instituições como a Polícia de Ordem Pública e a Polícia Judiciária.
No entanto, Armindo Maurício reconheceu ser necessário repensar o papel e a estrutura das FAC no actual contexto de modo a que o país possa retirar o maior proveito da sua instituição militar.
É neste sentido que o Governo está apostado na recolha de várias opiniões sobre esta matéria de modo a reunir os consensos necessários antes de tomar as medidas de fundo sobre um tema bastante sensível, revelou.
O dia das Forças Armadas em Cabo Verde assinala a data em que, há 36 anos, um grupo de jovens cabo-verdianos, que tinha beneficiado de uma formação militar em Cuba, se comprometeu, perante Amilcar Cabral, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em abraçar a luta armada para a libertação do arquipélago do domínio colonial português.
Este grupo de combatentes, liderados na altura pelo actual presidente da República, Pedro Pires, tinha sido preparado para desembarcar nas ilhas de Santiago e Santo Antão, as duas maiores do arquipélago, para estenderem a luta armada, iniciada na Guiné, até às ilhas.
Contudo, este plano não foi bem sucedido por falta de condições para a luta de guerrilha nas ilhas atlânticas, tendo o grupo passado a dar o seu contributo na frente da luta armada da Guiné Bissau.
Após a queda do regime colonialista em Portugal, à 25 de Abril de 1974, vários elementos deste grupo inicial regressou à Cabo Verde para pôr de pé a estrutura das então Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP), nas vésperas da independência do país, à 5 de Julho de 1975.

16 Janeiro 2003 09:52:00




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