Forças Novas acusam Presidente ivoiriense de insistir na via militar

Bouaké- Côte d'Ivoire (PANA) -- O secretário-geral das Forças Novas (FN, rebelião ivoiriense) acusou segunda-feira o Presidente Laurent Gbagbo de continuar a privilegiar a solução militar para a crise prevalecente no país.
Em conferência de imprensa em Bouaké (feudo das FN no centro do país), Soro salientou a insistência de Gbagbo em querer adquirir, custe o que custar, armas, violando o embargo decretado pelas Nações Unidas com a cumplicidade da República da Guiné Conakry, onde, assegurou, estão dois helicópteros de combate destinados às Forças de Defesa e Segurança da Côte d'Ivoire (FDS/CI).
"As Forças Novas respeitam os seus compromissos, precisamente os termos de todos os acordos que assinaram.
Mas parece que não é o caso do outro lado onde raramente se respeita a palavra dada", deplorou o líder rebelde.
O líder rebelde, que nessa ocasião qualificou de "encenação" os ataques perpetrados sábado e domingo últimos por um grupo de indivíduos armados não identificados contra as localidades de Anyama e de Agboville, situadas respectivamente a 22 a 79 quilómetros de Abidjan e que resultaram na morte de sete militares, dos quais cinco gendarmes, denunciou ainda o redesdobramento das armas pesadas das tropas governamentais que tinham sido retiradas da linha de frente.
Esta situação, advertiu, faz lembrar estranhamente a atmosfera que prevalecia na véspera dos ataques aéreos lançados a 4 de Novembro último pela frota governamental contra as posições dos ex-rebeldes no norte e centro do país.
Soro afirmou que as suas tropas já tomaram as suas disposições para responder a qualquer eventualidade, prevenindo contudo que a situação se arrisca a comprometer seriamente a fase de pré-acantonamento dos ex-combatentes que deve em princípio arrancar a 31 de Julho.
O SG das FN anunciou por outro lado que o seu movimento vai oficialmente queixar-se junto do Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, a respeito da incompatibilidade dos decretos presidenciais tomados a 15 de Julho com a carta e o espírito do Acordo Interivoiriense de Paz de Linas-Marcoussis (assinado a 24 de Janeiro de 2003 em França).
"Quando o Presidente Thabo Mbeki (medianeiro da União Africana na crise ivoiriense) pediu a Gbagbo para aplicar o artigo 48, duvidámos porque, a nosso ver, isto simboliza a ditadura.
Não é de admirar que ele tenha manipulado os textos.
Apenas dois dos sete artigos estão conformes à carta e ao espírito do Acordo de Linas-Marcoussis.
Hoje, todo mundo tem o sentimento que ele enganou a mediação sul-africana.
Quanto a nos, estamos habituados a isto", disse.
O líder da FN acrescentou que apenas os projectos de lei relativos ao financiamento dos partidos políticos e à criação da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) lhe parecem conformes mas que o resto, incluindo a lei sobre o audiovisual na qual o próprio Presidente Mbeki acreditava tanto, foi pura e simplesmente "baralhado".

25 Julho 2005 21:38:00




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